A corrida contra o tempo para combater a nova cepa do vírus Ebola

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A corrida contra o tempo para combater a nova cepa do vírus Ebola

📸 Créditos da imagem: New Africa/Shutterstock

Cientistas e pesquisadores correm contra o tempo para desenvolver soluções contra a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, que se espalha pela República Democrática do Congo (RDC) e por Uganda. Diante da ausência de vacinas ou tratamentos aprovados para combater essa variante da doença, a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) anunciou o repasse emergencial de US$ 60 milhões (R$ 303 milhões) para três desenvolvedores de imunizantes acelerarem suas pesquisas. O avanço dos estudos clínicos enfrenta barreiras logísticas no continente africano devido a conflitos armados e ataques de milícias a centros de tratamento de saúde na RDC, o que já provocou o deslocamento de dezenas de milhares de cidadãos. Apesar do cenário de insegurança regional, as equipes científicas afirmam que estão prontas para iniciar os testes com vacinas de tecnologia avançada e novas abordagens terapêuticas assim que a segurança local permitir o trabalho de campo. Desenvolvedores avançam com testes de novas vacinas e tratamentos experimentais para EbolaA vacina apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a candidata mais promissora é coordenada pela International Aids Vaccine Initiative (IAVI).

O projeto adota a mesma base tecnológica da Ervebo, vacina já comercializada contra a cepa Zaire, a variante mais comum do vírus. A estimativa da OMS é de que as doses da vacina rVSV Bundibugyo fiquem prontas para ensaios clínicos num intervalo de sete a nove meses. Mas o presidente da IAVI, Mark Feinberg, ressaltou o empenho em acelerar ao máximo esse cronograma. Como alternativa mais veloz, a Universidade de Oxford, em parceria com o Serum Institute of India, trabalha no imunizante ChAdOx1 Bundibugyo, que utiliza a plataforma da vacina de Covid-19 desenvolvida pela Oxford/AstraZeneca.

A professora Teresa Lambe, integrante do grupo de Oxford, informou que os testes em humanos podem ocorrer em dois ou três meses – ou seja, mais rápido do que o projeto da IAVI. No momento, para validar o avanço, especialistas da OMS aguardam novos dados de estudos em animais, que já foram iniciados no Reino Unido e nos Estados Unidos. A farmacêutica Moderna corre em paralelo e aposta na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para viabilizar testes clínicos em poucos meses.

O projeto da empresa recebeu um aporte de até US$ 50 milhões (R$ 252 milhões) da CEPI para financiar as fases pré-clínica e de testes iniciais. Embora o imunizante ainda não conste na lista oficial de recomendação da OMS, devido ao momento de avaliação das respostas, o CEO da Moderna, Stéphane Bancel, garantiu urgência e rigor científico para aproximar a vacina das comunidades que precisam dela. Testes de medicamentosAlém do pilar preventivo das vacinas, a comunidade científica se prepara para testar três medicamentos existentes que mostram potencial de eficácia terapêutica: os anticorpos monoclonais MBP134 e Maftivimab, que imitam a ação do sistema imunológico, e o antiviral remdesivir. A professora associada de emergências em saúde Amanda Rojek integrará a equipe do ensaio clínico Partners, que busca autorização regulatória dos governos da RDC e de Uganda.

O maior desafio apontado por Rojek é garantir que a equipe consiga operar de forma segura em áreas de conflito, oferecendo suporte clínico com base científica aos pacientes. Numa estratégia inédita para conter o surto de Ebola, pesquisadores testarão uma terapia profilática voltada a indivíduos que tiveram contato direto com infectados, utilizando o antiviral em pílula obdeldesivir. O professor Christophe Fraser, da Universidade de Oxford, destacou que o medicamento garantiu até 100% de proteção em testes com macacos contra outras duas cepas do vírus, quando administrado diariamente por dez dias nas primeiras 24 horas após a exposição.

No entanto, Fraser adverte que o sucesso prático do estudo dependerá diretamente da complexa tarefa de rastrear e acompanhar os indivíduos expostos em meio à instabilidade geopolítica da região. (Essa matéria usou informações do jornal The Guardian.) Pedro Spadoni Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal. Ver todos os artigos →

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