Satélite registrou a maior onda já medida do espaço em pleno oceano aberto

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Satélite registrou a maior onda já medida do espaço em pleno oceano aberto

📸 Créditos da imagem: © Unsplash

Por décadas, cientistas têm se dedicado a monitorar as tempestades oceânicas, buscando desvendar os mistérios por trás do surgimento e da propagação de ondas extremas pelo planeta. Contudo, uma parcela significativa desse fenômeno permanecia inacessível às medições convencionais, realizadas por boias e embarcações.

Recentemente, um avanço notável foi alcançado: um satélite conseguiu registrar um evento extraordinário em pleno oceano aberto – uma colossal parede de água com quase 20 metros de altura, emergindo no coração de uma megatempestade no Pacífico Norte. As descobertas subsequentes prometem revolucionar os modelos climáticos e as previsões marítimas futuras.

A Maior Onda Já Registrada do Espaço Surgiu no Meio de uma Tempestade Extrema

O fenômeno sem precedentes foi captado em dezembro de 2024 pelo satélite SWOT, uma missão colaborativa entre a NASA e a agência espacial francesa CNES. No auge da tempestade Eddie, o equipamento registrou ondas com uma altura significativa de 19,7 metros no Pacífico Norte, o que equivale aproximadamente a um prédio de seis andares que se eleva do oceano.

De acordo com os pesquisadores, este é o maior registro de onda já medido diretamente por satélite em mar aberto. O aspecto mais impressionante é que a medição ocorreu longe de qualquer costa, em uma área onde instrumentos tradicionais raramente conseguem operar com a precisão necessária.

A tempestade Eddie foi classificada como um ciclone extratropical de intensidade extrema, sendo responsável pela maior altura média de ondas registrada no Pacífico na última década. O sistema causou danos em diversas regiões da costa americana, estendendo-se do Canadá até o Peru, e também gerou as condições extremas associadas à renomada competição de surfe Eddie, realizada no Havaí.

Embora o valor oficial registrado tenha sido de 19,7 metros, os cientistas estimam que algumas cristas individuais dentro da tempestade possam ter atingido cerca de 35 metros. No entanto, esse valor mais elevado permanece como uma estimativa matemática e não como uma medição oficial confirmada pelo satélite.

O Satélite Revelou Detalhes Inéditos Sobre Como o Oceano Transporta Energia

Antes do SWOT, outros satélites já realizavam medições de ondas oceânicas desde a década de 1990. O desafio era que esses equipamentos cobriam apenas pequenas porções do oceano e raramente cruzavam o centro das tempestades mais violentas.

No caso da tempestade Eddie, o SWOT teve a capacidade de cruzar precisamente a região mais intensa do sistema no momento exato em que as ondas atingiam seu pico. Essa capacidade permitiu a criação de mapas bidimensionais extremamente detalhados da superfície oceânica, registrando simultaneamente a altura, direção e comprimento das ondas.

Contudo, o que mais surpreendeu os pesquisadores foi a vasta distância percorrida pela energia da tempestade. As ondas gigantes, após se dissiparem, transformaram-se em marulhos – ondulações capazes de continuar viajando mesmo após o desaparecimento da tempestade original.

Segundo o estudo, essa energia percorreu cerca de 24 mil quilômetros pelo oceano. As ondulações saíram do Pacífico Norte, atravessaram a Passagem de Drake, entre a América do Sul e a Antártica, e chegaram até o Atlântico Tropical semanas depois.

Para os cientistas, essa descoberta demonstra que tempestades podem influenciar regiões extremamente distantes, atuando quase como “mensageiros oceânicos” capazes de transportar energia por todo o planeta.

Modelos Antigos Estavam Errando a Força Real das Ondas

A pesquisa também trouxe à tona uma falha significativa nos modelos atualmente empregados para calcular a energia oceânica. Os cientistas apontam que os sistemas anteriores, embora não ignorassem as ondas longas, superestimavam em até 20 vezes a quantidade de energia transportada por elas.

Na prática, isso significa que os modelos distribuíam a força das tempestades de uma maneira diferente da que realmente ocorre no oceano. Com os novos dados coletados pelo SWOT, os pesquisadores iniciaram o desenvolvimento de modelos muito mais precisos, que consideram as interações complexas entre ondas curtas e longas.

Essa melhoria tem o potencial de impactar diretamente a segurança marítima. Ondas extremas representam uma ameaça real para cargueiros, plataformas offshore, cabos submarinos, portos e embarcações de grande porte. O conhecimento exato sobre onde elas se formam e como se propagam pode ser crucial para evitar acidentes e ajustar rotas durante tempestades severas.

Cientistas Agora Tentam Entender se o Clima Está Alimentando Megatempestades

Uma das questões mais importantes levantadas pelo estudo ainda aguarda uma resposta definitiva: tempestades gigantes como a Eddie estão se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas? Os pesquisadores abordam o tema com cautela, mas reconhecem que oceanos mais quentes armazenam mais energia e favorecem ventos capazes de formar ondas extremas.

Ao mesmo tempo, outros fatores também influenciam esse processo, como o relevo submarino, as trajetórias atmosféricas e as variações naturais do clima global. Por essa razão, os cientistas acreditam que o satélite SWOT desempenhará um papel central nos próximos anos.

O satélite permitirá comparar tempestades futuras com uma precisão inédita, auxiliando na identificação se os oceanos estão, de fato, entrando em uma nova fase caracterizada por eventos cada vez mais extremos. Mais do que um recorde impressionante, a onda registrada do espaço revelou que parte da força dos oceanos ainda permanecia invisível para a ciência moderna.

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