📸 Créditos da imagem: Julien Tromeur/Shutterstock
O Conselho Federal de Medicina (CFM) deu um passo significativo na modernização do tratamento do câncer de próstata no Brasil, autorizando o uso de duas terapias inovadoras e menos invasivas: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioterapia. A decisão, publicada nesta quarta-feira (28), abre caminho para a aplicação dessas técnicas em pacientes com casos selecionados de câncer de próstata localizado, especificamente aqueles classificados como de risco intermediário favorável.
Essas novas abordagens representam uma alternativa promissora aos tratamentos tradicionais, como a cirurgia radical e a radioterapia, que frequentemente resultam em sequelas urinárias e sexuais. Ao atuar apenas sobre a região atingida pelo tumor, o HIFU e a crioterapia visam preservar as funções saudáveis da próstata, minimizando os impactos na qualidade de vida dos pacientes.
Novas Terapias Focais: Menos Invasivas, Mais Precisas
A autorização do CFM reflete uma evolução na compreensão e no manejo do câncer de próstata. Graças aos avanços nos exames de imagem, os especialistas agora conseguem identificar com maior precisão as características dos tumores, permitindo uma distinção mais clara entre os pacientes que necessitam de abordagens radicais e aqueles que podem se beneficiar de tratamentos localizados.
Até recentemente, a maioria dos pacientes diagnosticados com câncer de próstata era submetida à remoção integral da glândula ou à radioterapia em toda a próstata. Embora eficazes no controle do tumor, esses métodos podem acarretar consequências significativas:
- Remoção total da próstata: Pode causar perda do controle urinário, comprometimento da ereção e interrupção da ejaculação.
- Radioterapia: Pode impactar a vida sexual e, em alguns casos, ser associada à terapia hormonal, que frequentemente diminui o desejo sexual.
Nesse contexto, as terapias focais ganharam destaque por sua capacidade de concentrar a intervenção apenas na área comprometida pela doença. O objetivo primordial é preservar as estruturas saudáveis da próstata, reduzindo drasticamente os impactos permanentes na qualidade de vida dos pacientes.
Como Funcionam o HIFU e a Crioterapia
As duas técnicas aprovadas operam com princípios distintos, mas com o mesmo objetivo de destruir as células cancerígenas de forma localizada:
- HIFU (Ultrassom Focado de Alta Intensidade): Utiliza ondas de ultrassom de alta intensidade para elevar a temperatura do tecido tumoral, provocando a destruição das células cancerígenas por calor.
- Crioterapia: Emprega o congelamento da região afetada em temperaturas extremas para eliminar o tecido tumoral.
Ambos os métodos são guiados por exames de imagem precisos e dispensam a necessidade de remoção completa da próstata. O urologista Stenio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A. C. Camargo Cancer Center, enfatiza que o principal atrativo dessas terapias focais reside na redução dos efeitos adversos associados aos tratamentos convencionais. “Mesmo com os avanços da cirurgia robótica e da radioterapia moderna, ainda existe risco de alterações urinárias e sexuais após o tratamento do câncer de próstata”, afirmou Zequi.
Segundo o especialista, os procedimentos focais apresentam índices menores de complicações urinárias e sexuais em comparação com as abordagens radicais. Além disso, ele destaca que essas técnicas geralmente exigem anestesia mais simples, um período de internação hospitalar mais curto e, em muitos casos, permitem a alta no mesmo dia.
Critérios de Aplicação e Acompanhamento Contínuo
Apesar da autorização, a aplicação dessas novas terapias não será indiscriminada. A resolução do CFM restringe seu uso a pacientes com tumor localizado em apenas um lado da próstata e que sejam classificados como de risco intermediário favorável. Casos de risco elevado ou com doença mais agressiva continuam sendo indicados para a cirurgia ou radioterapia tradicionais, que permanecem como pilares fundamentais no tratamento oncológico.
O acompanhamento médico rigoroso também é uma exigência após os procedimentos focais. A norma estabelece a realização periódica de exames de PSA, além de novos exames de imagem e biópsias, para monitorar continuamente a eficácia do tratamento e a evolução do paciente ao longo do tempo, garantindo a segurança e os melhores resultados possíveis.
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