📸 Créditos da imagem: Netflix
O Final Explicado de The Boroughs: Desvendando os Segredos da Série dos Criadores de Stranger Things na Netflix
A mais nova aposta da Netflix, The Boroughs, chegou ao catálogo com a assinatura de Jeffrey Addiss e Will Matthews na criação, e a produção dos renomados irmãos Duffer, mentes por trás de Stranger Things. A série rapidamente capturou a atenção dos fãs de ficção científica, entregando uma mistura envolvente de suspense, criaturas perturbadoras, personagens complexos e uma mitologia que se desdobra gradualmente.
A trama central acompanha Sam Cooper, interpretado por Alfred Molina, um viúvo que se muda para uma comunidade de aposentados no Novo México. Com a ajuda de seus novos amigos, Sam começa a desvendar os segredos aterrorizantes que se escondem nas entranhas literais do local. A primeira temporada, composta por oito episódios, conclui com algumas respostas, mas, como é de praxe em narrativas de mistério, deixa ainda mais perguntas no ar.
Quem é a Mãe e o que ela quer em The Boroughs?
A origem de todo o mistério remonta a 1949, quando Marcus Shaw encontrou um ovo peculiar em uma mina de cobre. Desse ovo nasceu uma criatura que ele batizou de Mãe (Mather, no original, interpretada por Nancy Daly). A descoberta rapidamente se transformou em uma obsessão para Marcus, pois beber o sangue da Mãe concedia imortalidade, prevenindo o envelhecimento, doenças e até a morte.
Com o passar do tempo, Marcus, agora conhecido como Blaine, adotou a identidade de seu próprio neto para ocultar a imortalidade que havia conquistado de forma sombria. Para sustentar a Mãe, que necessita de fluido cerebrospinal humano, Blaine e sua esposa Anneliese construíram a comunidade de aposentados. Este arranjo macabro transformava os moradores em “fornecedores” involuntários enquanto dormiam.
Os filhos da Mãe, criaturas aracnídeas com pele cinza, dentes afiados e membros que lembram os de um louva-a-deus, percorrem os túneis à noite para extrair o fluido, que é então entregue à criatura. A aparência quase humana da Mãe, por sua vez, é um resultado direto de décadas se alimentando desse fluido vital.
Por que Sam consegue se comunicar com a Mãe?
Ao longo da temporada, Sam começa a ter visões perturbadoras de sua falecida esposa, Lilly (Jane Kaczmarek). O que inicialmente parecia ser um trauma decorrente do luto, revela-se ser algo mais profundo: a Mãe estava se comunicando com ele, disfarçada de Lilly. A criatura não percebe o tempo de forma linear e tende a se conectar com indivíduos cujas mentes estão “fora do eixo temporal”.
Pacientes com demência são os mais suscetíveis a essa conexão, mas Sam representa um caso especial. A dor avassaladora da perda de Lilly o deixou com a mente dividida entre o presente e o dia de sua morte. “Ele está sempre preso no momento em que perdeu a esposa, então tem um pé em dois tempos diferentes”, explicou o cocriador Addiss. Essa brecha emocional é precisamente o que permite à Mãe usar Sam como um meio para escapar do cativeiro ao qual foi submetida por décadas.
O Final da Primeira Temporada de The Boroughs
No clímax da série, Sam e seus amigos elaboram uma armadilha engenhosa utilizando televisores de tubo de raios catódicos. As ondas eletromagnéticas emitidas pelos aparelhos desestabilizam as células alteradas daqueles que beberam o sangue da Mãe, derrubando Anneliese e ferindo gravemente Blaine. Com o caminho livre, Sam escolta a Mãe até a caverna onde ela nasceu, o local escolhido pela própria criatura para encontrar a paz em seus momentos finais.
Blaine, em um ato de desespero, segue os dois e ataca Sam em um confronto brutal. No entanto, a Mãe tem um último e poderoso ato: ela explode em uma onda de luz, destruindo a si mesma, seus filhos e o vilão eterno que a manteve em cativeiro. No mesmo instante, ela concede a Sam um presente inestimável: alguns momentos ao lado de Lilly, não como uma memória, mas de forma real. Os dois dançam juntos em uma cena que serve como um fechamento emocional crucial para o arco de Sam na temporada.
“Se o arco de Sam é sobre aceitar que a morte faz parte da vida, queríamos dar a ele um momento mágico para curar essa ferida”, afirmou o cocriador Matthews, ressaltando a profundidade dramática do desfecho.
O que significa o “glitch” de Sam?
Na cena final, Sam vai ao banheiro para trocar o curativo em sua testa. Por uma fração de segundo, seu reflexo no espelho “trava”, exibindo uma interferência semelhante a um sinal de TV. Este é exatamente o mesmo “glitch” que as criaturas da Mãe apresentavam quando capturadas em vídeo ao longo da série. A implicação é clara: não foi uma coincidência.
Os criadores confirmam que a linguagem de transmissão, sinais e interferências é central para o que está por vir. Sam saiu do encontro com a Mãe marcado de alguma forma sobrenatural, seja pela explosão final ou pela breve viagem no tempo que ela lhe concedeu. O detalhe serve também como uma referência afetiva ao final da primeira temporada de Stranger Things, quando Will Byers olha para o espelho do banheiro e vislumbra brevemente o Mundo Invertido, uma homenagem que os próprios irmãos Duffer apreciaram.
The Boroughs terá segunda temporada?
Até o momento, a Netflix ainda não renovou oficialmente The Boroughs para uma segunda temporada. Contudo, os criadores deixam claro que possuem um plano maior em mente. Eles afirmam saber exatamente o que a Mãe é, de onde veio e para onde a história pode se desenvolver, incluindo pistas sobre viagem no tempo, alienígenas e a transformação de Sam após os eventos traumáticos. A última cena da série, que termina com a câmera subindo lentamente até o céu estrelado do Novo México, parece reforçar a ideia de que o próximo capítulo pode ir muito além dos túneis daquela comunidade de aposentados.
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