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Gastos com Infraestrutura de IA Podem Atingir R$ 20 Trilhões Anuais até 2030, Projeta Nvidia
Os investimentos globais em infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) estão projetados para alcançar a impressionante marca de US$ 4 trilhões (equivalente a cerca de R$ 20 trilhões na conversão atual) por ano até o final desta década, de acordo com as estimativas da Nvidia, líder no setor de chips e hardware para IA.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, revelou em uma teleconferência de resultados que as despesas do setor já se encontram em US$ 1 trilhão e estão em trajetória de crescimento para US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões. Ele especificou que esses valores se referem aos investimentos de grandes provedores de nuvem, conhecidos como hyperscalers, como Alphabet e Amazon, excluindo as chamadas neoclouds.
Colette Kress, diretora financeira da Nvidia, reforçou a projeção, afirmando que o Capex (despesas de capital) dos hyperscalers deve ultrapassar US$ 1 trilhão já em 2027. Kress explicou que a expansão da IA agêntica, que envolve sistemas autônomos capazes de tomar decisões e agir, será um motor crucial para que os gastos com infraestrutura de IA atinjam a faixa de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões anuais até 2030.
Nvidia Supera Expectativas de Wall Street
As projeções ambiciosas da Nvidia superam significativamente as estimativas atuais de Wall Street. Laura Martin, analista da Needham, apontou que o consenso do mercado prevê investimentos de hyperscalers em torno de US$ 1,03 trilhão em 2028, um valor consideravelmente inferior à projeção da fabricante de chips.
Martin e o analista Dan Medina comentaram que, se a visão de Huang se concretizar, as estimativas de mercado precisarão ser revisadas para cima. Eles também destacaram que a perspectiva do executivo sobre o futuro dos hyperscalers é “mais interessante” do que os próprios discursos das empresas em seus relatórios de resultados.
Otimismo da Nvidia e o Crescimento da Nuvem
O otimismo da Nvidia é fundamentado não apenas na proliferação de bilhões de agentes e subagentes de IA que o mundo deve ter, mas também no robusto crescimento das receitas de computação em nuvem e nos avanços contínuos dos modelos de IA mais sofisticados.
As receitas trimestrais das principais plataformas de nuvem superaram as expectativas do mercado, demonstrando a forte demanda por serviços de infraestrutura. Os destaques incluem:
- Alphabet (Google Cloud): Crescimento de 63%
- AWS (Amazon Web Services): Avanço de 28%
- Microsoft (Azure): Alta de 40%
Ceticismo Econômico e os Desafios da IA
Apesar do entusiasmo do setor de tecnologia, economistas permanecem cautelosos e em dúvida sobre os efeitos de longo prazo da IA na lucratividade, produtividade e viabilidade econômica. Em novembro, o JPMorgan estimou que um retorno de 10% sobre esses investimentos até 2030 exigiria US$ 650 bilhões em receita anual permanente.
O banco classificou esse valor como “assustadoramente alto”, especialmente quando comparado às receitas globais de computação em nuvem, que somaram US$ 455 bilhões nos 12 meses encerrados em abril, segundo dados da consultoria Synergy Research Group.
Cédric Durand, economista da Universidade de Genebra, ponderou que não haveria problema se os ganhos de eficiência prometidos pela IA realmente se materializassem. Contudo, Martha Gimbel, do Yale Budget Lab, alertou que ainda é prematuro considerar os dados de produtividade atuais como prova definitiva de um boom impulsionado pela IA.
Pesquisadores e economistas do Federal Reserve, em um relatório de março, apontaram uma “heterogeneidade substancial” na adoção de inteligência artificial pelas empresas. Eles observaram que os ganhos de produtividade percebidos são maiores do que os medidos, sugerindo um possível atraso na geração de receitas concretas a partir desses investimentos massivos em IA.
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