O boom espacial pode estar criando um novo problema climático invisível: a fuligem liberada por foguetes é até 540 vezes mais agressiva para o planeta do que a poluição emitida na superfície

📡 Fonte: Gizmodo 🏷️ Ciência 🤖 Auto
O boom espacial pode estar criando um novo problema climático invisível: a fuligem liberada por foguetes é até 540 vezes mais agressiva para o planeta do que a poluição emitida na superfície

📸 Créditos da imagem: © https://x.com/Forbes/

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A nova corrida espacial, frequentemente celebrada como um marco de inovação e avanço tecnológico, está gerando uma preocupação ambiental crescente e pouco visível. Cientistas alertam que o aumento exponencial de lançamentos de foguetes pode estar criando um novo e perigoso problema climático: o acúmulo de fuligem na atmosfera superior da Terra.

Um estudo recente, publicado na revista científica Earth’s Future e conduzido por pesquisadores do University College London, revela que essa forma específica de poluição é significativamente mais prejudicial ao clima do que as emissões de fuligem geradas por veículos, indústrias ou usinas na superfície terrestre. A pesquisa focou no impacto ambiental da era das “megaconstelações” de satélites, vastas redes orbitais que consistem em milhares de pequenos satélites lançados continuamente.

O caso mais proeminente é a rede Starlink, da SpaceX de Elon Musk, que já conta com quase 12 mil satélites em órbita. O estudo aponta que o principal problema reside no chamado carbono negro, popularmente conhecido como fuligem, que é liberado em altitudes extremamente elevadas durante os lançamentos de foguetes, especialmente aqueles que utilizam combustíveis derivados de querosene.

A Persistência da Fuligem Espacial na Atmosfera

Diferentemente da poluição produzida ao nível do solo, a fuligem espacial não é rapidamente removida pela chuva ou pelos ciclos atmosféricos naturais. Ela permanece suspensa na estratosfera e em regiões ainda mais altas da atmosfera terrestre por anos, o que amplifica drasticamente seu impacto climático. Os pesquisadores estimam que o carbono negro emitido por foguetes pode ser até 540 vezes mais eficiente em alterar o clima do que a fuligem gerada perto da superfície da Terra.

O Crescimento Acelerado da Indústria Espacial

Para quantificar o problema, os cientistas analisaram dados de lançamentos de foguetes e reentradas atmosféricas de satélites entre 2020 e 2022, revelando uma aceleração impressionante na poluição espacial. Em 2020, as megaconstelações já eram responsáveis por cerca de 35% do impacto climático total do setor espacial. A projeção é que esse número atinja 42% até 2029.

O motivo para esse aumento é o disparo no número de lançamentos. Em apenas cinco anos, os lançamentos anuais de foguetes praticamente triplicaram, saltando de 114 em 2020 para 329 em 2025. Grande parte desse crescimento está diretamente ligada à expansão da Starlink e de outros projetos concorrentes de internet via satélite.

Falcon 9: Um dos Principais Emissores

O estudo destaca o foguete Falcon 9, da SpaceX, como um dos principais contribuintes para o problema. Este veículo, amplamente utilizado para lançar satélites da Starlink, emprega combustível à base de querosene, que gera grandes quantidades de partículas de carbono negro durante a queima. Como os lançamentos ocorrem em altitudes muito elevadas, a fuligem fica retida em regiões atmosféricas onde os mecanismos naturais de limpeza funcionam de forma extremamente lenta.

Além disso, a reentrada de satélites descartados também agrava a situação, liberando resíduos químicos e partículas metálicas à medida que se desintegram ao retornar à atmosfera terrestre.

Impacto na Camada de Ozônio e Semelhanças com Geoengenharia

Os pesquisadores alertam que o impacto não se restringe ao aquecimento global. Os lançamentos espaciais também liberam substâncias químicas como cloro e óxidos metálicos, que são capazes de interagir com a camada de ozônio. Essa preocupação é particularmente relevante, pois a camada de ozônio levou décadas para iniciar sua recuperação após a proibição progressiva de gases como os CFCs. Há o temor de que a nova indústria espacial possa introduzir uma pressão adicional justamente nas regiões atmosféricas mais sensíveis do planeta.

Curiosamente, os cientistas observaram que o acúmulo de fuligem espacial pode gerar um efeito similar ao de algumas propostas de geoengenharia climática, que sugerem injetar partículas na atmosfera superior para refletir a luz solar e mitigar temporariamente o aquecimento global. O estudo indica que a quantidade de fuligem prevista para 2029 poderia bloquear parte da radiação solar de maneira semelhante.

No entanto, os próprios autores fazem um alerta crucial: qualquer possível efeito de resfriamento seria mínimo em comparação com o avanço do aquecimento global causado pelas emissões terrestres. Além disso, a manipulação do equilíbrio atmosférico dessa forma pode acarretar consequências imprevisíveis e indesejadas.

Janela de Oportunidade para Ação

Apesar da seriedade da questão, os cientistas enfatizam que o impacto atual ainda é relativamente pequeno em escala planetária. Isso significa que existe uma janela de oportunidade para desenvolver regulamentações e tecnologias mais limpas antes que a situação se torne incontrolável. O desafio, contudo, reside na velocidade vertiginosa de crescimento da indústria espacial.

Estimativas anteriores previam cerca de 65 mil novos satélites até o fim da década, mas os pesquisadores afirmam que esses números já parecem desatualizados diante do ritmo atual da corrida espacial. Quanto mais foguetes forem lançados, mais essa nova forma de poluição invisível continuará a se acumular silenciosamente acima de nossas cabeças, exigindo atenção e ação urgentes.

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⚖️ Direitos Autorais: Este site utiliza conteúdo agregado automaticamente de fontes públicas. Todas as imagens possuem crédito e fonte indicados conforme exigido pela legislação brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98).
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