O que o Brasil pode aprender com as cidades inteligentes da China? Executivos revelam lições

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O que o Brasil pode aprender com as cidades inteligentes da China? Executivos revelam lições

📸 Créditos da imagem: Gonçalo Junior/Estadão

O Brasil deve intensificar seus investimentos na infraestrutura digital subjacente que sustenta a transformação tecnológica das cidades, uma lição crucial extraída da experiência chinesa em desenvolvimento urbano inteligente. Essa foi a principal conclusão de executivos de grandes empresas chinesas ou com forte ligação ao gigante asiático, durante um painel de destaque no São Paulo Innovation Week.

O debate, intitulado “Inteligência Artificial e Cidades Inteligentes: Lições da China”, ocorreu no festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. O evento reuniu representantes de companhias chinesas que atuam em setores estratégicos como telecomunicações, segurança pública, mobilidade elétrica e inteligência artificial, oferecendo uma perspectiva valiosa sobre o futuro das cidades.

A China, reconhecida como um dos maiores laboratórios urbanos de inovação do mundo, conta com aproximadamente 500 projetos-piloto de cidades inteligentes. O país utiliza tecnologias de ponta, como reconhecimento facial, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e conectividade avançada, para otimizar a gestão de trânsito, segurança, energia e diversos serviços públicos. Contudo, especialistas ressaltam que o Brasil enfrenta desafios próprios, que vão desde questões tributárias complexas até profundas desigualdades urbanas.

A Base da Conectividade e Autonomia Governamental

Carlos Roseiro, diretor de ICT Marketing da Huawei Brasil, líder global em infraestrutura de TI, enfatizou que a conectividade é o pilar fundamental para qualquer cidade inteligente. “A infraestrutura não aparece, mas é ela que sustenta tudo”, afirmou Roseiro, destacando a importância de investimentos em redes robustas e confiáveis, mesmo que invisíveis ao usuário final.

Para garantir a qualidade e a segurança de serviços críticos, Roseiro sugeriu que governos estaduais e municipais não dependam exclusivamente das redes de operadoras privadas. Ele propôs a criação de “uma rede dedicada, não misturada às outras”, assegurando assim a autonomia e a eficiência dos serviços públicos. Além da conectividade, o executivo apontou a capacidade de processamento de dados e a inteligência artificial como o segundo pilar essencial, defendendo que os governos devem ter autonomia sobre os sistemas de IA que utilizam, evitando a dependência de soluções externas.

Sensores Inteligentes na Gestão Urbana

Enquanto a Huawei focou na infraestrutura de TI, a Dahua Technology Brasil, representada por Lucas Kubaski, trouxe à tona o avanço no uso de sensores e câmeras com inteligência artificial para a gestão urbana. Kubaski explicou que as câmeras urbanas transcenderam sua função original de vigilância, tornando-se “sensores capazes de gerar informações em tempo real para governos”.

Esses dispositivos inteligentes podem realizar diversas funções, como contar veículos, enviar dados para a gestão semafórica, identificar pessoas procuradas pela Justiça e até auxiliar na localização de desaparecidos. A Dahua também apresentou inovações em IoT, como sistemas de iluminação pública que ajustam a intensidade da luz conforme o movimento nas ruas, e a “onda verde”, um sistema de IA que identifica veículos de emergência e abre automaticamente os sinais de trânsito em seu percurso.

O avanço dessas tecnologias, no entanto, levanta questões importantes sobre privacidade, especialmente no que tange ao reconhecimento facial. Kubaski ressaltou que “a governança é fundamental”, afirmando que os fabricantes fornecem ferramentas para que os gestores públicos utilizem essas tecnologias da forma menos invasiva possível, equilibrando inovação com a proteção dos direitos individuais.

O Desafio da Eletromobilidade

A discussão sobre inovação urbana também abordou a eletromobilidade, com Paula Maia, da área de produtos elétricos da 99 (empresa controlada pela chinesa DiDi Global), destacando o papel central dos veículos elétricos na transformação das cidades. A 99, segundo Maia, formou uma coalizão com 31 companhias para acelerar o desenvolvimento da mobilidade sustentável no Brasil, já contando com cerca de 50 mil veículos elétricos operando em sua plataforma.

Apesar do potencial, o alto custo inicial dos veículos elétricos permanece como a principal barreira para sua popularização no país. “O principal desafio hoje é o acesso. O veículo elétrico ainda tem custo elevado na migração do carro a combustão”, explicou Maia. Contudo, ela argumentou que o menor custo de manutenção dos modelos elétricos pode gerar um impacto positivo significativo na renda dos motoristas de aplicativo a longo prazo.

O São Paulo Innovation Week, que ocorreu entre os dias 13 e 15 de dezembro no Pacaembu e na Faap, serviu como um palco para essas e muitas outras discussões cruciais. Com mais de 2 mil palestrantes, o evento cobriu uma vasta gama de áreas, desde ciência e saúde até mobilidade e sustentabilidade, reforçando a importância do diálogo e da troca de experiências para o avanço tecnológico e social.

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