📸 Créditos da imagem: A Meta também informou que pretende ampliar a funcionalidade para mais usuários nas próximas semanas. - Magnific
A crescente proliferação de conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA) nas plataformas digitais tem levantado questões sobre autenticidade e transparência. Um exemplo notável é Hikari de Jesus, um personagem fictício, descendente de japonês, coberto de tatuagens e cantor gospel, que conquistou mais de um milhão de seguidores em plataformas como Instagram, YouTube e Spotify.
Apesar de seu perfil no Instagram declarar abertamente ser o “1º cantor gospel do Brasil feito com IA”, muitos de seus seguidores ainda acreditam na sua existência real. Comentários nas publicações frequentemente elogiam sua suposta trajetória de superação, suas atitudes, a relação com a família e os louvores que interpreta, evidenciando a dificuldade do público em discernir o real do artificial.
Hikari não é um caso isolado. O fenômeno dos influenciadores virtuais já tem precedentes, como Lil Miquela, uma das pioneiras do segmento, com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. Ela também se apresenta como um “robô”, atuando como modelo e cantora virtual, e demonstra a capacidade da IA de criar figuras carismáticas e engajadoras.
Instagram Lança Nova Etiqueta para Conteúdo de IA
Diante desse cenário de blurring entre o real e o artificial, o Instagram anunciou, na última segunda-feira (4), o início dos testes de uma nova etiqueta denominada “Criador de conteúdo de IA”. Esta identificação será aplicada a perfis que produzem ou publicam materiais gerados por inteligência artificial, visando aumentar a transparência para os usuários.
Em nota, a Meta, empresa controladora do Instagram, afirmou que, à medida que mais pessoas utilizam ferramentas de IA para criar e compartilhar conteúdo, mais usuários terão seu primeiro contato com materiais produzidos artificialmente. “Sabemos que as pessoas querem mais transparência sobre quem ou o que está por trás do que veem e, por isso, estamos tomando medidas para elevar o padrão de transparência sobre IA no Instagram e ajudar as pessoas a reconhecerem quando algo foi criado por IA”, informou a empresa.
A nova etiqueta complementa os recursos de identificação de conteúdo artificial já existentes na plataforma. Usuários que optarem por classificar seus perfis como “Criador de Conteúdo IA” terão o selo exibido em diversas áreas, incluindo o perfil, Feed, Reels e Explorar. A Meta planeja expandir essa funcionalidade para um número maior de usuários nas próximas semanas, reforçando seu compromisso com a clareza.
O Desafio da IA na Indústria Musical: Spotify e Deezer Agem
A indústria musical também tem sido impactada pela IA, com casos que ilustram tanto o potencial criativo quanto os desafios éticos e legais. Em outubro do ano passado, o álbum “The Life of a Showgirl”, da cantora norte-americana Taylor Swift, teve uma de suas músicas, “The Fate of Ophelia”, adaptada para uma versão brasileira inusitada.
Intitulada “Sina de Ofélia”, a adaptação utilizava vozes geradas por inteligência artificial para simular interpretações dos cantores Dilsinho e Luíza Sonza. A faixa chegou a figurar entre as mais ouvidas do Brasil no Spotify, mas foi posteriormente removida da plataforma. A razão exata da remoção, se por solicitação da equipe da artista original ou por iniciativa do próprio serviço de streaming, permanece incerta.
O Spotify, por sua vez, já vinha implementando medidas para coibir o uso indevido de IA. Entre as ações adotadas estão filtros mais rigorosos contra spam musical, mecanismos de proteção contra imitações de artistas e a exigência de transparência sobre o uso de inteligência artificial nos créditos das músicas. No fim de abril, a plataforma lançou o selo “Verificado pelo Spotify”, uma marca verde de verificação que aparece em perfis de artistas e resultados de busca, auxiliando os usuários a identificar músicos autênticos.
A Deezer também se posicionou proativamente. Em junho de 2025, a plataforma se tornou a primeira de streaming de áudio a implementar um sistema de detecção e rotulagem para músicas criadas com IA. Segundo a empresa, essa iniciativa visa ampliar a transparência e combater fraudes no setor, estabelecendo um precedente importante para a indústria.
Essas ações conjuntas de grandes plataformas digitais, tanto no campo do conteúdo visual quanto no auditivo, sinalizam uma tendência clara: a busca por maior transparência e controle sobre o conteúdo gerado por inteligência artificial. O objetivo é capacitar os usuários a fazerem escolhas informadas e a manterem a confiança no ecossistema digital, mesmo com a evolução contínua das capacidades da IA.
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