📸 Créditos da imagem: Apple busca parcerias em solo americano (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
A Apple está em negociações preliminares com a Intel e a Samsung para a fabricação de chips de seus principais dispositivos em solo americano. A iniciativa visa a uma reestruturação significativa na cadeia de suprimentos da gigante de tecnologia, buscando reduzir a dependência quase exclusiva da taiwanesa TSMC, sua atual parceira.
A movimentação, que veio à tona nesta terça-feira (5), reflete um objetivo estratégico claro: garantir alternativas robustas e mitigar riscos em um cenário global cada vez mais volátil. A empresa de Cupertino busca diversificar sua produção de semicondutores, um componente vital para seus produtos.
Por que a Apple quer produzir chips com outras empresas?
A decisão da Apple é impulsionada por dois fatores críticos que têm impactado a indústria global: a persistente escassez de peças no mercado e os riscos geopolíticos associados à concentração da produção em Taiwan.
Durante a apresentação dos resultados financeiros mais recentes, o CEO Tim Cook admitiu publicamente que a falta de chips já está limitando o ritmo de vendas da companhia. Segundo o executivo, a Apple opera atualmente com “menos flexibilidade do que normalmente teria”, e a expectativa é que o equilíbrio entre oferta e demanda leve ainda meses para ser alcançado.
Essa crise logística não é atribuída apenas ao volume gigantesco de vendas da Apple. O gargalo atual foi amplificado pelo boom da inteligência artificial, que absorveu uma parcela considerável da capacidade global de produção de semicondutores, pressionando ainda mais a cadeia de suprimentos.
Adicionalmente, há um alerta vermelho de natureza geográfica. A dependência de Taiwan, uma ilha que a China reivindica como parte de seu território, representa um perigo constante. O próprio Tim Cook já expressou internamente a preocupação de que concentrar 60% da produção de componentes vitais em uma única região não é uma estratégia sustentável a longo prazo.
Volta da Intel ou acordo com a rival Samsung?
A regra de ouro da Apple sempre foi manter múltiplos fornecedores para peças importantes, uma prática já adotada para componentes como telas e baterias. O desafio, contudo, reside em encontrar companhias que consigam igualar a confiabilidade e a escala da TSMC, que atualmente domina a fabricação utilizando o processo de 3 nanômetros.
Fontes próximas ao assunto indicam que, nos corredores de Cupertino, ainda existe um certo receio em apostar integralmente em tecnologias de fabricação de terceiros. No entanto, um contrato com a Intel representaria um marco histórico para ambas as empresas.
Sob a liderança de seu CEO, a Intel tem se esforçado para reerguer sua divisão de manufatura e atrair clientes de grande porte. Ter a Apple como parceira não seria apenas uma vitória comercial gigantesca, mas também o retorno de uma antiga colaboração: a Intel forneceu processadores para os Macs de 2006 até 2020, antes da transição para o Apple Silicon.
A Samsung, por sua vez, corre por fora como a vice-líder mundial em fabricação de semicondutores e possui um histórico de parcerias com a Apple. A gigante sul-coreana foi responsável pela fabricação dos processadores das primeiras gerações do iPhone e continua a fornecer outros componentes. A conquista deste contrato daria um fôlego significativo à divisão de chips da Samsung, mesmo com as duas empresas sendo rivais diretas no mercado de smartphones.
Fábrica da TSMC no Arizona
É importante ressaltar que a Apple não está abandonando a TSMC. Pelo contrário, a empresa de Tim Cook tem contribuído financeiramente para a expansão das operações de uma fábrica da fornecedora taiwanesa em Phoenix, no Arizona. A expectativa é que essa instalação comece a fornecer cerca de 100 milhões de chips para a Apple a partir de 2026.
No entanto, como apontado por analistas, esse volume cobriria apenas uma pequena fração dos dispositivos que a Apple comercializa anualmente. Isso reforça a percepção de que a busca da Apple por novas parcerias em solo americano não é meramente uma sondagem casual, mas uma estratégia fundamental para garantir a estabilidade e a resiliência de sua cadeia de suprimentos no futuro.
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