Turismo sexual cresce em Tóquio e coloca legislação japonesa sob pressão

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Turismo sexual cresce em Tóquio e coloca legislação japonesa sob pressão

📸 Créditos da imagem: Unsplash

O Japão vive um momento extraordinário para o turismo. Com milhões de estrangeiros explorando suas cidades, templos e restaurantes, o país se consolidou como um dos destinos mais desejados do mundo. A desvalorização do iene também contribuiu para tornar as viagens mais acessíveis.

Entretanto, longe das atrações tradicionais, o crescimento do turismo está acompanhado de um fenômeno preocupante que pode obrigar as autoridades a revisar uma legislação criada há sete décadas. Um famoso bairro de Tóquio revela o lado menos conhecido do turismo japonês Kabukicho, localizado em Shinjuku, é um dos bairros mais conhecidos de Tóquio por sua vida noturna. Suas ruas iluminadas por letreiros de neon concentram bares, karaokês, restaurantes e diferentes estabelecimentos de entretenimento adulto.

Entretanto, uma mudança recente vem chamando a atenção das autoridades: o crescimento da prostituição de rua. A prática é conhecida no Japão como tachinbo, expressão associada a pessoas que procuram clientes diretamente em espaços públicos. Segundo estimativas divulgadas pela imprensa japonesa, antes da pandemia havia aproximadamente três ou quatro mulheres oferecendo esses serviços em determinados pontos da região.

Atualmente, os relatos mencionam entre 30 e 40 mulheres nos mesmos locais. Os números representam estimativas pontuais, não um levantamento completo da atividade na cidade. A Polícia Metropolitana de Tóquio registrou 112 detenções relacionadas à prática durante 2025, conforme dados citados por veículos japoneses.

O crescimento observado reacendeu preocupações sobre exploração, segurança e o papel dos visitantes estrangeiros nesse mercado. Redes sociais estão levando turistas a lugares que antes eram pouco conhecidos A popularização de plataformas digitais também está modificando a maneira como visitantes descobrem determinadas áreas de Tóquio. Vídeos publicados no TikTok e no Bilibili mostram locais associados à prostituição de rua, ampliando sua visibilidade entre turistas.

Essa exposição pode contribuir para atrair estrangeiros interessados em serviços sexuais fora dos circuitos turísticos tradicionais. Uma trabalhadora entrevistada pela agência AFP afirmou que aproximadamente metade de seus clientes era formada por visitantes internacionais. Embora seja um relato individual, a declaração ajuda a ilustrar a presença de estrangeiros nesse mercado.

As diferenças de idioma também se tornaram menos relevantes. Aplicativos de tradução permitem que turistas e trabalhadoras negociem diretamente utilizando smartphones. Reportagens mencionam valores entre 15 mil e 30 mil ienes por hora, dependendo do serviço.

Entretanto, ainda não existem dados suficientes para determinar quanto do crescimento da atividade pode ser atribuído especificamente ao turismo internacional. Uma legislação de 1956 pode passar por mudanças importantes O debate ganhou força porque a legislação japonesa apresenta uma diferença significativa no tratamento de quem oferece e de quem compra serviços sexuais. A Lei de Prevenção da Prostituição, aprovada em 1956, estabelece restrições à atividade e prevê punições para determinadas formas de abordagem pública.

Pessoas que solicitam clientes nas ruas podem enfrentar multas ou penas de até seis meses de prisão. Por outro lado, os compradores não estão sujeitos a uma punição equivalente simplesmente pela contratação. Essa assimetria passou a ser questionada diante do aumento da visibilidade da prostituição de rua.

O governo japonês começou a estudar possíveis alterações na legislação, incluindo a introdução de sanções direcionadas aos clientes. A proposta parte da ideia de que reduzir a demanda poderia ajudar a combater determinadas situações de exploração. Entretanto, a discussão está longe de produzir consenso.

Punir os clientes pode resolver o problema ou aumentar os riscos? A possibilidade de endurecer as regras divide especialistas, autoridades e organizações de direitos humanos. Defensores da punição aos compradores argumentam que a medida poderia desencorajar a procura por serviços sexuais e contribuir para combater abusos.

Entretanto, organizações como a Human Rights Watch alertam para possíveis consequências negativas da criminalização. Uma das preocupações é que a atividade seja deslocada para ambientes clandestinos, dificultando o acesso à proteção e aumentando a vulnerabilidade das trabalhadoras. Nesse cenário, situações de violência e exploração poderiam se tornar mais difíceis de denunciar.

A organização defende abordagens que priorizem segurança, direitos, assistência social e acesso à saúde. O desafio do Japão não consiste apenas em controlar o turismo sexual, mas em decidir como proteger pessoas vulneráveis sem ampliar os riscos que já enfrentam. Setenta anos depois da criação de sua legislação, o país precisa avaliar se as regras atuais conseguem responder a uma realidade profundamente transformada pelo turismo internacional e pelas plataformas digitais.

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