📸 Créditos da imagem: Unsplash
Mais de meio século depois das missões Apollo, a corrida para levar seres humanos à Lua ganhou um novo protagonista. A China pretende realizar seu primeiro pouso tripulado antes de 2030 e já desenvolve os equipamentos necessários para essa conquista. Entretanto, documentos apresentados recentemente mostram que o objetivo não termina quando os astronautas retornarem à Terra.
O país está estudando uma infraestrutura capaz de transformar visitas rápidas em operações científicas cada vez mais prolongadas. China prepara uma missão lunar com dois foguetes e três astronautas Os novos detalhes foram apresentados durante o sétimo Simpósio do Programa Espacial Tripulado, realizado em Pequim entre 31 de outubro e 1º de novembro de 2026. Wang Xiang, um dos responsáveis pelo programa lunar chinês, explicou os avanços tecnológicos e os conceitos estudados para as próximas etapas.
A primeira missão utilizará dois lançamentos do foguete Longa Marcha 10, cada um transportando componentes diferentes. Um deles levará o módulo de pouso Lanyue. O outro transportará a espaçonave Mengzhou, com três astronautas.
Os veículos deverão se encontrar e acoplar na órbita lunar. Depois, dois tripulantes descerão à superfície, enquanto o terceiro permanecerá na nave em órbita. Durante a exploração, os astronautas utilizarão os trajes Wangyu e o veículo Tansuo para realizar experimentos e coletar amostras.
Ao final, retornarão ao Lanyue, decolarão da superfície e se reunirão novamente com a Mengzhou. A Agência Espacial Tripulada da China mantém o objetivo de realizar essa missão antes do fim de 2030, embora ainda não tenha divulgado uma data exata. O verdadeiro objetivo é construir uma infraestrutura para permanecer na Lua A parte mais ambiciosa dos novos conceitos começa depois do primeiro pouso tripulado.
A China estuda desenvolver uma base lunar formada por módulos habitáveis e laboratórios móveis pressurizados. Esses veículos seriam diferentes dos pequenos rovers utilizados em missões de exploração. Em vez de permanecerem expostos ao ambiente lunar, os astronautas poderiam trabalhar dentro de compartimentos protegidos, equipados com sistemas de suporte à vida.
Isso permitiria realizar atividades científicas sem utilizar continuamente os trajes espaciais. Os projetos apresentados incluem veículos destinados à habitação, experimentos, fornecimento de energia e operações técnicas. Alguns módulos também poderiam ser conectados entre si, criando instalações maiores e ampliando as possibilidades de trabalho.
O módulo Lanyue poderia receber adaptações para transportar equipamentos e participar da montagem dessas estruturas. A ideia é transformar uma missão temporária em uma plataforma para futuras expedições humanas. Entretanto, esses conceitos ainda estão em fase de estudo e não representam uma base lunar com cronograma definitivo de construção.
Laboratórios sobre rodas podem transformar a exploração da superfície lunar Uma das principais dificuldades para manter astronautas na Lua é garantir condições adequadas de sobrevivência. O ambiente apresenta temperaturas extremas, radiação e períodos prolongados sem iluminação solar em determinadas regiões. Por isso, futuras instalações precisarão de sistemas confiáveis de energia, proteção e suporte à vida.
Entre as possibilidades estudadas está a utilização do foguete Longa Marcha 9, projetado para transportar cargas muito maiores. Ele poderia levar módulos habitáveis e equipamentos energéticos mais robustos. Os conceitos incluem até sistemas baseados em reatores de fissão nuclear, capazes de fornecer eletricidade quando a geração solar não estiver disponível.
Outra vantagem dos laboratórios móveis seria permitir deslocamentos científicos mais longos, transportando instrumentos e suprimentos junto com as tripulações. Apesar do potencial, ainda serão necessárias novas tecnologias, testes e investimentos antes que essas estruturas possam funcionar na superfície lunar. O projeto faz parte de uma estratégia para ampliar a presença humana no espaço Os planos também se relacionam com a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, iniciativa promovida pela China com participação internacional.
O projeto prevê o desenvolvimento progressivo de instalações robóticas e, posteriormente, estruturas destinadas a operações humanas. A estratégia representa uma diferença importante em relação às primeiras missões Apollo. Naquela época, o principal objetivo era demonstrar a capacidade de levar astronautas à Lua e trazê-los de volta.
Agora, a China pretende utilizar seu primeiro pouso como ponto de partida para uma presença científica mais duradoura. Isso não significa que uma base permanente já esteja garantida. O sucesso dependerá das primeiras missões, da evolução tecnológica e dos recursos disponíveis nas próximas décadas.
Entretanto, os conceitos apresentados revelam uma mudança de perspectiva: a Lua deixa de ser apenas um destino para visitas históricas e passa a ser considerada um possível local de trabalho e pesquisa para futuras gerações de astronautas.
📰 Leia a notícia completa em: Gizmodo »