📸 Créditos da imagem: Unsplash
Nate Soares, ex-engenheiro do Google e da Microsoft, voltou a defender uma das posições mais pessimistas do debate sobre inteligência artificial. Em entrevista a Nicholas Thompson, CEO da revista The Atlantic, afirmou acreditar que há mais de 50% de chance de a humanidade não ter outra década pela frente devido ao avanço da tecnologia. O percentual expressa sua avaliação sobre o futuro, sem constituir uma probabilidade estabelecida pela ciência.
A declaração resume uma divergência importante: pesquisadores discutem os riscos de sistemas cada vez mais poderosos, mas discordam sobre a possibilidade, a gravidade e o prazo de uma eventual perda de controle. Quem é Nate Soares Soares preside o Machine Intelligence Research Institute, o MIRI, organização dedicada à pesquisa sobre riscos de IA avançada. Segundo sua biografia oficial, ele atua há mais de uma década no campo do alinhamento: a investigação de como fazer sistemas poderosos agirem de acordo com as intenções humanas.
Antes de ingressar no instituto, trabalhou como engenheiro no Google e na Microsoft. Seu histórico também inclui atividades no Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, o NIST. Ele é coautor, com Eliezer Yudkowsky, do livro If Anyone Builds It, Everyone Dies.
A entrevista integra o podcast The Most Interesting Thing in AI, produzido de forma independente da equipe editorial da The Atlantic. Uma previsão que afeta suas decisões pessoais Na conversa, Soares disse que sua visão sobre o futuro influencia até o planejamento da aposentadoria. Ele relatou manter uma conta previdenciária da época em que trabalhava no Google, mas afirmou não fazer contribuições há cerca de dez anos.
Também argumentou que observar limitações dos modelos atuais não basta para descartar ameaças futuras. Sua preocupação está na trajetória de desenvolvimento de sistemas capazes de executar tarefas progressivamente mais complexas. Esse argumento, porém, não demonstra que uma catástrofe acontecerá no prazo mencionado.
O salto entre reconhecer avanços tecnológicos e atribuir uma probabilidade de extinção continua dependendo de hipóteses sobre capacidades futuras e sobre as condições de uso desses sistemas. O que diz o relatório internacional de segurança O International AI Safety Report 2026, publicado em fevereiro, descreve um cenário mais incerto. Segundo o documento, os sistemas avaliados ainda não tinham as capacidades necessárias para provocar os cenários de perda de controle discutidos no relatório.
Entretanto, apresentavam avanços em áreas relevantes, como operação autônoma, planejamento e identificação de situações de teste. O texto define perda de controle como uma situação em que sistemas passam a atuar fora do controle humano, sem um caminho claro para recuperá-lo. Alguns especialistas consideram plausíveis consequências extremas.
Outros entendem que os sistemas não desenvolverão as capacidades necessárias ou que mecanismos de supervisão poderão impedir comportamentos perigosos. O relatório caracteriza, portanto, um risco de probabilidade incerta e gravidade potencialmente extrema. A proposta é interromper a corrida pela superinteligência O MIRI defende uma pausa internacional no desenvolvimento de IA de fronteira.
Em uma proposta de acordo, sua equipe sugere limitar a escala dos treinamentos e estabelecer mecanismos de verificação, incluindo acompanhamento do uso de chips. A organização reconhece que ainda não existe vontade política suficiente para implementar esse modelo de cooperação. A posição de Soares representa uma corrente do debate sobre segurança.
Seu alerta chama atenção para possíveis consequências de sistemas futuros, mas a afirmação de que restariam menos de dez anos deve permanecer atribuída a ele. As evidências disponíveis sustentam a necessidade de investigar e administrar riscos; não estabelecem uma contagem regressiva para a humanidade.
📰 Leia a notícia completa em: Gizmodo »