Pesquisadores identificam uma possível chave molecular para preservar lembranças durante o envelhecimento

📡 Fonte: Gizmodo 🏷️ Ciência 🤖 Auto
Pesquisadores identificam uma possível chave molecular para preservar lembranças durante o envelhecimento

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Esquecer um nome conhecido, não lembrar onde deixou um objeto ou perceber que certas lembranças estão ficando menos nítidas são situações que podem se tornar mais frequentes com o envelhecimento. Durante muito tempo, pesquisadores tentaram entender o que acontece dentro do cérebro quando essas mudanças aparecem. Agora, um experimento envolvendo milhões de moscas revelou que parte desse processo pode estar ligada a alterações moleculares que, surpreendentemente, parecem ser reversíveis.

Dez milhões de moscas ajudaram a revelar um segredo sobre a memória Uma equipe internacional liderada pelo bioquímico espanhol Rubén Hervás, da Universidade de Hong Kong, identificou um mecanismo que pode ajudar a explicar o enfraquecimento das lembranças durante o envelhecimento. A investigação, publicada na revista científica Cell, envolveu aproximadamente dez milhões de moscas-das-frutas e seis anos de experimentos, segundo informações divulgadas pelos pesquisadores e repercutidas pelo jornal El País. Os cientistas utilizaram a espécie Drosophila melanogaster, amplamente empregada em estudos de genética e neurociência.

Como esses insetos possuem um ciclo de vida relativamente curto, é possível acompanhar mudanças associadas ao envelhecimento em períodos muito menores do que seria necessário com mamíferos. Os pesquisadores examinaram os cérebros das moscas em oito fases diferentes, desde os primeiros dias de vida até aproximadamente 35 dias de idade. O objetivo era compreender como determinadas proteínas envolvidas na conservação das lembranças se transformavam ao longo do tempo.

A investigação acabou direcionando a atenção para uma molécula especialmente importante na formação da memória de longo prazo. E foi justamente nela que os cientistas encontraram uma possível explicação para parte do problema. Uma proteína essencial para guardar lembranças muda com o envelhecimento A protagonista dessa descoberta é a Orb2, uma proteína que participa dos mecanismos responsáveis pela manutenção de memórias duradouras.

Ela possui uma característica incomum: pode formar estruturas chamadas amiloides funcionais. Embora o termo amiloide seja frequentemente associado a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, nem todas essas estruturas são prejudiciais. Algumas desempenham funções importantes no organismo.

No caso da Orb2, sua organização molecular contribui para processos celulares que permitem preservar determinadas lembranças. Os pesquisadores observaram que, com o envelhecimento, essas estruturas podem se tornar mais rígidas e perder parte de sua funcionalidade. Isso prejudicaria mecanismos necessários para manter informações armazenadas no sistema nervoso.

A descoberta levantou uma pergunta importante: seria possível modificar essas proteínas para recuperar parte de seu funcionamento? Os experimentos mostraram que sim, pelo menos nas moscas estudadas. A proteína Funes conseguiu melhorar a memória de moscas envelhecidas Os cientistas identificaram uma proteína chamada Funes, pertencente ao grupo das chaperonas moleculares.

Essas moléculas auxiliam outras proteínas a adquirir e conservar as estruturas necessárias para desempenhar suas funções. Quando os pesquisadores aumentaram a produção de Funes em moscas envelhecidas, observaram mudanças importantes. As estruturas de Orb2 recuperaram características associadas a estados mais jovens, enquanto os insetos apresentaram melhora nos testes de memória.

O efeito contrário também foi observado. Ao aumentar outra chaperona, chamada CG6693, os pesquisadores identificaram alterações nas proteínas e dificuldades de memória até mesmo em moscas jovens. Esses resultados sugerem que parte do declínio cognitivo relacionado à idade pode envolver mudanças na manutenção molecular das lembranças.

A relação entre Funes e a memória já havia aparecido em uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Na ocasião, os experimentos indicaram que aumentar essa proteína favorecia a formação de memórias de longo prazo. O novo estudo amplia a descoberta ao investigar sua relação com o envelhecimento.

Curiosamente, o nome Funes homenageia o personagem criado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges, conhecido por sua capacidade extraordinária de recordar acontecimentos. Será possível recuperar a memória perdida em seres humanos? A descoberta abre uma possibilidade interessante, mas ainda está longe de representar um tratamento disponível para pessoas.

Os seres humanos possuem proteínas funcionalmente relacionadas à Orb2, como a CPEB3, envolvida na plasticidade neuronal e em processos associados à memória. Isso levanta a hipótese de que mecanismos semelhantes possam existir em nosso cérebro. Se essa relação for confirmada, pesquisadores poderão investigar estratégias para preservar o funcionamento dessas proteínas durante o envelhecimento.

Entretanto, não existe evidência de que aumentar Funes recupere lembranças perdidas em humanos ou trate doenças como o Alzheimer. Também será necessário compreender se modificar esses mecanismos produz efeitos seguros e duradouros. Hervás recebeu financiamento para investigar se os processos identificados nas moscas estão conservados na espécie humana.

Por enquanto, o avanço mais importante é conceitual: o enfraquecimento da memória pode não depender apenas da perda de neurônios ou conexões cerebrais. Alterações em proteínas responsáveis por conservar determinadas lembranças também podem desempenhar um papel relevante. Isso não significa que a ciência esteja prestes a eliminar o esquecimento.

Mas os resultados indicam que alguns mecanismos associados ao envelhecimento da memória podem ser modificados, abrindo uma nova frente de pesquisa sobre como preservar nossas capacidades cognitivas por mais tempo.

📰 Leia a notícia completa em: Gizmodo »

⚖️ Direitos Autorais: Este site utiliza conteúdo agregado automaticamente de fontes públicas. Todas as imagens possuem crédito e fonte indicados conforme exigido pela legislação brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98).