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Após observar algumas das explosões mais poderosas do Universo, o telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory chegou ao fim de sua missão. A Nasa espera que o equipamento reentre na atmosfera nas próximas semanas. Parte do Brasil fica dentro da faixa sobrevoada pelo observatório, o que torna uma queda de fragmentos no país fisicamente possível.
Até agora, porém, não existe previsão que indique esse cenário. A diferença entre possibilidade e previsão é fundamental. A trajetória orbital permite delimitar uma região ampla da Terra, mas ainda não revela onde o telescópio estará quando ocorrer sua descida final.
Por que o Brasil aparece entre as possibilidades O Swift percorre uma órbita com inclinação de aproximadamente 20,6 graus em relação à Linha do Equador. Isso faz com que ele passe sobre uma faixa que inclui parte do território brasileiro. Essa característica explica a menção ao Brasil.
Entretanto, ela não permite apontar uma cidade, um estado ou mesmo um país como destino dos possíveis destroços. Em entrevista à CNN Brasil, o astrônomo Marcos Calil, responsável pelo setor de observatório da Urânia Planetário, ressaltou que não existem dados que permitam afirmar que fragmentos cairão no país. Também vale esclarecer o que acontece nessa etapa: o Swift já está em órbita da Terra.
Agora, ele perde altitude e se aproxima de uma reentrada na atmosfera, onde o aquecimento intenso deverá destruir boa parte de sua estrutura. Segundo o escritório de detritos orbitais da Nasa, muitos materiais não resistem a esse processo. Componentes que sobrevivem podem alcançar a superfície, mas, em termos gerais, têm maior probabilidade de atingir oceanos ou regiões pouco povoadas.
Essa avaliação não identifica o destino específico dos fragmentos do Swift. A atmosfera colocou um ponto final na missão Mesmo a centenas de quilômetros de altitude, um satélite ainda encontra partículas da atmosfera. O contato produz arrasto, uma resistência que retira energia da órbita e faz o equipamento perder altura.
No caso do Swift, a atividade solar recente intensificou esse efeito. Em seu comunicado sobre o encerramento das operações, a Nasa informou que o observatório chegou a aproximadamente 275 quilômetros de altitude em 20 de outubro. Nessa altura, o equipamento já não conseguia compensar os efeitos do arrasto para manter seus instrumentos apontados de forma estável.
Ele entrou em modo de segurança, e a equipe de operações enviou um comando que encerrou suas atividades e o preparou para a reentrada. Prever o instante exato desse retorno exige conhecer como a atmosfera vai se comportar durante a descida. Sua densidade varia conforme as condições solares e geomagnéticas, entre outros fatores.
A Nasa trata essa incerteza em um projeto científico dedicado à reentrada do Swift. O objetivo é comparar modelos da alta atmosfera e entender por que suas previsões de trajetória podem divergir. Pequenas diferenças no momento da descida também mudam a posição do satélite sobre a Terra.
Uma tentativa de resgate não conseguiu prolongar sua vida Antes de encerrar a missão, a agência tentou viabilizar uma operação para elevar a órbita do observatório. A proposta envolvia a nave comercial LINK, da Katalyst Space, que deveria se aproximar do Swift, capturá-lo e levá-lo a uma altitude maior. No entanto, problemas no controle de orientação da LINK impediram a execução dessa etapa.
Em agosto, a Nasa anunciou que a nave não realizaria a captura nem a elevação orbital planejadas. O Swift retomou observações depois dessa decisão e ainda acompanhou centenas de alvos. A volta ao trabalho científico, contudo, aumentou o arrasto sobre o equipamento, que voltou a perder altitude rapidamente.
O observatório deixa um arquivo que continuará útil Lançado em 2004, o Swift tinha uma missão principal prevista para apenas dois anos. Permaneceu produtivo por mais de dez vezes esse período, ajudando pesquisadores a estudar explosões de raios gama e outros fenômenos que mudam rapidamente no céu. Seu legado continuará disponível mesmo após a destruição do equipamento.
De acordo com o balanço científico publicado pela Nasa, o arquivo reúne quase 22 anos de observações e mais de 1,5 milhão de imagens de seu telescópio ultravioleta e óptico. Ao todo, são aproximadamente 12 terabytes de dados públicos que poderão alimentar novas pesquisas. Enquanto os cientistas exploram esse material, o destino físico do observatório depende das últimas etapas de sua descida — ainda sem um local de queda definido.
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