Cientistas comprovam pela primeira vez que aranhas dormem e fazem descoberta surpreendente sobre o sono

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Cientistas comprovam pela primeira vez que aranhas dormem e fazem descoberta surpreendente sobre o sono

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Você já imaginou uma aranha dormindo e, quem sabe, até sonhando? Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 revelou que esses animais possuem padrões de sono mais complexos do que se acreditava. Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, identificaram duas fases distintas de descanso em uma espécie de aranha-saltadora, incluindo uma com características semelhantes às do sono REM humano.

A descoberta pode ajudar a explicar como o sono evoluiu entre diferentes espécies. Como os cientistas descobriram que as aranhas dormem? A investigação foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Biologia Organísmica da Universidade de Bonn, liderados por Daniela C.

Rößler e Nadja Geiger. A equipe estudou a espécie Portia fimbriata, uma pequena aranha-saltadora australiana conhecida por suas sofisticadas estratégias de caça. Esses animais conseguem imitar vibrações de insetos presos em teias para atrair outras aranhas, comportamento que sugere capacidades complexas de aprendizagem.

Para investigar seu descanso, os cientistas utilizaram câmeras de alta resolução e equipamentos infravermelhos, acompanhando os animais durante vários dias e noites. Segundo a Universidade de Bonn, os experimentos demonstraram que as aranhas não permaneciam simplesmente imóveis: elas apresentavam um estado de sono biologicamente regulado. Aranhas apresentam duas fases de sono diferentes A principal descoberta foi a identificação de dois estados distintos durante o descanso noturno.

Em um deles, as aranhas permaneciam praticamente imóveis, com pouca atividade muscular. No outro, apresentavam movimentos rápidos das estruturas oculares, pequenas contrações musculares e movimentos involuntários das pernas. Esses comportamentos lembram algumas características do sono REM, fase que, nos seres humanos, está associada aos sonhos mais intensos.

Os resultados foram publicados no estudo Behavioral evidence for two-stage sleep in spiders, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Entretanto, os pesquisadores ressaltam que a semelhança comportamental não comprova que as aranhas tenham exatamente o mesmo sono REM dos humanos. Experimento revelou que aranhas recuperam o sono perdido Para confirmar que os animais realmente dormiam, os cientistas realizaram testes adicionais.

Primeiro, utilizaram estímulos sonoros para medir quanto tempo as aranhas demoravam para reagir enquanto descansavam. Depois, interromperam períodos de sono e observaram o comportamento dos animais nas horas seguintes. As aranhas apresentaram um fenômeno conhecido como rebote do sono, compensando parte do descanso perdido.

Essa resposta é considerada uma evidência importante de que o sono atende a uma necessidade biológica. Conforme explicou a equipe à publicação colombiana El Espectador, os testes permitiram diferenciar o sono verdadeiro de períodos comuns de inatividade. Afinal, as aranhas também podem sonhar?

Essa é uma das perguntas mais fascinantes levantadas pela pesquisa. Em 2022, cientistas já haviam identificado movimentos semelhantes aos do sono REM em outra espécie de aranha-saltadora, Evarcha arcuata. Agora, o novo estudo oferece evidências experimentais mais completas de que as aranhas realmente dormem e apresentam diferentes fases de descanso.

Mas existe uma limitação importante: os pesquisadores não conseguiram medir diretamente a atividade cerebral dos animais. Por isso, ainda não é possível afirmar que as aranhas sonham ou experimentam imagens e sensações durante o sono. Descoberta pode mudar o que sabemos sobre a evolução do sono Grande parte do conhecimento científico sobre o sono vem de estudos realizados com mamíferos e aves.

A identificação de padrões semelhantes em aranhas sugere que certos mecanismos de descanso podem ser muito mais difundidos no reino animal. Os pesquisadores pretendem investigar como o sono influencia a aprendizagem desses animais e se fatores ambientais, como iluminação artificial e mudanças climáticas, interferem em seus ciclos naturais. A descoberta mostra que até criaturas com sistemas nervosos muito diferentes dos nossos podem apresentar formas surpreendentemente complexas de sono.

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