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Introdução
Uma pesquisa internacional, publicada em outubro de 2026 na revista Communications Psychology, analisou 3.053 relatos de 176 participantes do Reino Unido e da Austrália. Durante duas semanas, os voluntários registraram 1.434 sonhos e 1.619 episódios de pensamentos espontâneos, momentos em que a mente divaga enquanto estamos acordados.
Metodologia
Em vez de buscar símbolos ou interpretar o conteúdo emocional, os cientistas empregaram a teoria dos grafos. Cada palavra é representada como um nó, e as relações entre elas formam conexões. Essa abordagem permite medir a repetição de termos, a diversidade vocabular e a forma como as palavras se interligam dentro de uma narrativa.
Resultados
- Os relatos de sonhos apresentaram redes de palavras mais conectadas, maior repetição de termos e estrutura de mundo pequeno, onde diferentes grupos de palavras permanecem ligados por caminhos curtos.
- Os relatos de pensamentos espontâneos foram mais extensos, com vocabulário mais variado e palavras que estabelecem conexões entre ideias distintas.
- Uma menor diversidade de palavras nos sonhos correlacionou-se com sintomas depressivos.
- Medidas de centralidade das palavras nos pensamentos espontâneos associaram-se a sintomas de ansiedade.
Implicações
Os resultados sugerem que a forma como organizamos verbalmente nossas experiências internas pode conter pistas sobre nosso estado emocional. A análise matemática da linguagem abre possibilidades para estudar grandes quantidades de relatos pessoais de maneira quantitativa, reduzindo a dependência de interpretações subjetivas.
Limitações e Perspectivas
A amostra incluiu apenas 176 pessoas, exigindo replicação em populações maiores e em diferentes culturas e idiomas. As diferenças na construção de frases entre línguas podem influenciar os resultados, especialmente no português brasileiro. Embora não se trate de um método de diagnóstico, estudar como contamos nossos sonhos pode, no futuro, ajudar a compreender melhor a organização do pensamento em estados de vigília e de sono.
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