Japão envia missão inédita a uma lua de Marte e pode encontrar respostas que cientistas procuram há décadas

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Japão envia missão inédita a uma lua de Marte e pode encontrar respostas que cientistas procuram há décadas

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Marte já recebeu sondas, orbitadores e robôs capazes de explorar sua superfície. Mas um dos maiores mistérios do planeta vermelho continua escondido fora dele. Agora, o Japão iniciou uma missão espacial inédita para investigar uma pequena lua marciana e trazer amostras de seu solo à Terra.

Se tudo funcionar como planejado, a viagem poderá esclarecer como esses corpos celestes surgiram e revelar detalhes sobre a história do Sistema Solar. Japão inicia uma missão que nenhum país conseguiu completar A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) lançou a missão Martian Moons eXploration (MMX), uma iniciativa que pretende realizar algo inédito: coletar material de uma das luas de Marte e transportá-lo de volta à Terra. O lançamento ocorreu em 19 de outubro de 2026, pelo horário de Brasília, quando já era madrugada do dia 20 no Japão.

A espaçonave partiu do Centro Espacial de Tanegashima a bordo de um foguete H3, desenvolvido para ampliar a capacidade japonesa de realizar missões espaciais de grande porte. O destino principal é Fobos, a maior e mais próxima das duas luas naturais de Marte. A outra é Deimos.

Embora sejam conhecidas há quase 150 anos, essas pequenas luas continuam cercadas de perguntas sobre sua origem, composição e evolução. A MMX pretende responder algumas delas por meio de observações detalhadas, medições científicas e coleta de amostras. A missão representa também um marco para o foguete H3, utilizado pela primeira vez em uma viagem interplanetária.

Depois de enfrentar problemas em seu voo inaugural, em 2023, o lançador passou por melhorias e se tornou uma peça importante da estratégia espacial japonesa. A pequena lua pode esconder uma história surpreendente Fobos possui formato irregular, semelhante ao de uma batata, e mede aproximadamente 27 quilômetros em sua maior dimensão. O satélite orbita Marte a uma distância de cerca de 6 mil quilômetros da superfície do planeta, completando aproximadamente três voltas a cada dia marciano.

Apesar de seu tamanho reduzido, Fobos pode ajudar a responder uma pergunta fundamental: como surgiram as luas de Marte? Existem duas hipóteses principais. A primeira sugere que Fobos e Deimos eram asteroides que acabaram capturados pela gravidade marciana.

A segunda propõe que as duas luas se formaram a partir de fragmentos lançados ao espaço depois de uma grande colisão envolvendo Marte. Cada explicação aponta para uma história diferente da evolução do planeta. Analisar a composição química e mineralógica de Fobos poderá ajudar os cientistas a identificar qual cenário é mais compatível com as evidências.

Além disso, partículas provenientes de antigos impactos em Marte podem ter alcançado a superfície de suas luas. Se isso aconteceu, Fobos poderia preservar materiais relacionados ao passado do planeta vermelho, incluindo pistas sobre sua antiga composição e evolução. Um pequeno robô enfrentará um desafio gigantesco A missão MMX não pretende apenas observar Fobos à distância.

A espaçonave deverá realizar aproximações, estudar sua superfície e tentar coletar pelo menos dez gramas de material. A quantidade parece pequena, mas pode ser suficiente para permitir análises laboratoriais muito mais detalhadas do que aquelas realizadas por instrumentos enviados ao espaço. Um dos grandes desafios será a gravidade extremamente fraca da Lua.

Em Fobos, objetos pesam muito menos do que na Terra, o que dificulta pousos, deslocamentos e operações de coleta. Qualquer movimento excessivamente brusco pode comprometer a estabilidade dos equipamentos. Para enfrentar esse ambiente, a missão contará com um pequeno veículo explorador chamado Idefix, desenvolvido principalmente pelas agências espaciais da França e da Alemanha, com contribuições de outros parceiros internacionais.

O robô possui quatro rodas e foi projetado para estudar a superfície de Fobos em condições muito diferentes das encontradas em Marte. A espaçonave principal também transportará instrumentos científicos capazes de investigar a composição e as propriedades físicas do satélite. A NASA e a Europa também participam da missão Embora seja liderado pelo Japão, o projeto envolve uma ampla colaboração internacional.

A NASA participa com instrumentos científicos e apoio técnico. Entre os equipamentos está o MEGANE, desenvolvido para analisar elementos químicos presentes na superfície de Fobos por meio de medições de raios gama e nêutrons. A Agência Espacial Europeia (ESA) também contribui para a missão, assim como instituições da França, Alemanha e Espanha.

Essa cooperação permitirá combinar diferentes tecnologias e experiências acumuladas em décadas de exploração espacial. O Japão já demonstrou capacidade de realizar missões de coleta de amostras em pequenos corpos celestes. As sondas Hayabusa e Hayabusa2 conseguiram trazer materiais dos asteroides Itokawa e Ryugu, respectivamente.

Agora, o desafio será muito maior. A distância até Marte, a necessidade de operar em um ambiente gravitacional complexo e o retorno das amostras exigirão uma sequência de manobras extremamente precisas. As primeiras amostras devem chegar à Terra em 2031 Segundo o cronograma divulgado pela JAXA, a espaçonave deverá alcançar a região de Marte em agosto de 2027.

Depois disso, começará uma longa fase de observações e preparação para as operações em Fobos. A coleta de amostras está prevista para 2030, enquanto o retorno à Terra deverá ocorrer em 2031. O material será transportado em uma cápsula projetada para sobreviver à reentrada na atmosfera terrestre.

Se a operação for bem-sucedida, cientistas poderão examinar diretamente rochas e poeira de uma lua marciana pela primeira vez. O resultado poderá esclarecer a formação de Fobos e Deimos, além de contribuir para pesquisas sobre a evolução dos planetas rochosos. A missão também poderá oferecer informações importantes para futuras viagens humanas a Marte.

Conhecer melhor as luas marcianas pode ajudar no planejamento de operações espaciais, no estudo de recursos disponíveis e na compreensão das condições encontradas ao redor do planeta. Mas a descoberta mais importante talvez esteja escondida em uma quantidade minúscula de poeira. Dez gramas de material podem parecer insignificantes diante da imensidão do espaço.

Para os cientistas, porém, elas poderão carregar informações preservadas durante bilhões de anos e ajudar a reconstruir uma parte ainda desconhecida da história do Sistema Solar.

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