📸 Créditos da imagem: Unsplash
Durante séculos, o Farol de Alexandria permaneceu como uma das construções mais emblemáticas e imponentes da humanidade. Erguido no Egito há mais de dois mil anos, o monumento orientou incontáveis navegadores pelas rotas comerciais do Mar Mediterrâneo até sucumbir aos abalos de sucessivos terremotos. Agora, graças a um esforço arqueológico internacional, partes monumentais dessa maravilha do mundo antigo voltam à superfície para contar sua história através de métodos científicos contemporâneos.
As operações mais recentes foram conduzidas no porto oriental de Alexandria por meio da iniciativa internacional PHAROS. O projeto é fruto de uma colaboração estratégica entre o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e a Fundação Dassault Systèmes. As equipes conseguiram localizar e resgatar 22 blocos arquitetônicos originais que repousavam no leito marinho.
A dimensão dos fragmentos resgatados impressiona até mesmo os especialistas em construções modernas. Entre as peças içadas estão gigantescos elementos estruturais que faziam parte da sustentação, enormes blocos de pavimentação e fragmentos de portais maciços. Alguns desses monólitos chegam a pesar entre 70 e 80 toneladas, atestando a sofisticação logística e a capacidade de engenharia dos povos da Antiguidade.
O esplendor e a queda de uma maravilha antiga
O monumento original foi erguido no século III a. C., durante o domínio da dinastia ptolemaica, sobre a ilha de Faros, que acabou dando origem ao termo utilizado para denominar tais construções. Estudos históricos calculam que a torre alcançava entre 100 e 130 metros de altura, despontando entre as obras humanas mais altas do planeta durante mais de um milênio.
Além de sua escala colossal, o farol representava uma síntese rara entre as tradições estéticas e construtivas gregas e egípcias, servindo como símbolo de poder político, riqueza mercantil e vanguarda científica. Essa estabilidade começou a ruir devido à intensa atividade tectônica da região mediterrânea. Uma série de abalos sísmicos, com destaque para o terremoto catastrófico de 1303, arruinou progressivamente a estrutura, cujas pedras remanescentes foram posteriormente reaproveitadas no século XV para a construção da fortaleza medieval da Cidadela de Qaitbay.
Reconstrução digital e modelagem tridimensional
O foco central da expedição vai além do resgate físico das pedras submersas. A meta é viabilizar a reconstituição virtual completa do monumento com alto nível de fidelidade métrica. Os arqueólogos aplicam técnicas avançadas de fotogrametria submarina e modelagem tridimensional computadorizada para documentar cada detalhe milimétrico das peças.
Para compor essa réplica digital precisa, os especialistas reúnem dados de diferentes frentes de pesquisa:
- Digitalização tridimensional de mais de uma centena de blocos catalogados em expedições anteriores;
- Cruzamento de dados a partir de iconografias históricas, moedas helenísticas e relatos documentais antigos;
- Mapeamento batimétrico detalhado do fundo do mar no porto de Alexandria.
O processo assemelha-se à montagem de um imenso quebra-cabeça tridimensional. A partir dos dados escaneados, pesquisadores poderão finalmente compreender como os blocos eram unidos e quais mecanismos permitiram que o farol permanecesse de pé enfrentando ventos marítimos e abalos por mais de mil anos.
Pistas complementares e o achado do anel de bronze
A pesquisa arqueológica na baía de Alexandria também revelou outros artefatos significativos que enriquecem o panorama histórico. Entre eles destaca-se um raro anel de bronze, recuperado das ruínas submersas de um antigo complexo palaciano situado na ilha de Antírrodos.
O adorno traz gravada uma representação gráfica do Farol de Alexandria em relevo, oferecendo novos indícios sobre as feições externas da torre e suas possíveis associações administrativas no período ptolemaico. Embora os vestígios do farol nunca tenham estado inteiramente ocultos dos arqueólogos, a união entre escavação marinha e tecnologia digital abre uma nova era no entendimento de uma das obras de engenharia mais reverenciadas da história.
📰 Leia a notícia completa em: Gizmodo »