Satélites russos preocupam Alemanha por possível ameaça à rede Starlink

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Satélites russos preocupam Alemanha por possível ameaça à rede Starlink

📸 Créditos da imagem: Mike Mareen/Shutterstock

A movimentação de satélites militares russos nas proximidades de um equipamento ocidental que fornece informações à Ucrânia levantou preocupações sobre possíveis ameaças à rede Starlink, operada pela SpaceX, de Elon Musk. O alerta foi feito pelo general Michael Traut, comandante do Comando Espacial da Alemanha, em entrevista à Reuters publicada nesta sexta-feira (9). Em maio de 2026, quatro satélites militares russos, identificados como Cosmos 2610, 2611, 2612 e 2613, aproximaram-se de um satélite comercial de imageamento por radar. Segundo a Força Espacial dos Estados Unidos, os equipamentos russos realizaram manobras nas proximidades do aparelho, pertencente à empresa finlandesa ICEYE. A companhia confirmou à Reuters que um de seus satélites esteve envolvido no episódio.

A ICEYE fornece dados aos Estados Unidos e a países aliados, incluindo informações utilizadas para inteligência no campo de batalha na Ucrânia. Traut descreveu a movimentação dos satélites russos como uma espécie de perseguição ao equipamento da empresa finlandesa. Para o general, a atividade demonstra capacidades que poderiam afetar constelações comerciais maiores, como a Starlink, mesmo sem um ataque direto. “A Rússia está demonstrando maneiras que, se empregadas diretamente contra uma megaconstelação como a Starlink, poderiam afetar sua vida útil e a qualidade do serviço para todos os usuários, não apenas para a Ucrânia”, afirmou Traut à Reuters. “Isso me preocupa bastante”, acrescentou. Como a Rússia poderia prejudicar a Starlink?

Segundo o comandante alemão, uma possibilidade seria Moscou recorrer a táticas de interferência que não envolvam a destruição direta de satélites. Ele descreveu um cenário hipotético em que um equipamento russo entraria na trajetória orbital de um satélite da Starlink e depois se fragmentaria; Uma situação desse tipo poderia obrigar os satélites da rede a realizar manobras de desvio para evitar colisões. Essas manobras consomem combustível e podem reduzir a vida operacional dos equipamentos, além de afetar o funcionamento da constelação; Traut avaliou que um ataque explícito contra um satélite da Starlink representaria uma escalada significativa.

Em contrapartida, ações de interferência indireta poderiam permitir que a Rússia pressionasse sistemas espaciais ocidentais sem recorrer a uma ofensiva aberta; Outros dois representantes ocidentais ouvidos pela Reuters também manifestaram preocupação com as atividades russas e seus possíveis efeitos sobre a Starlink, considerada a maior constelação de satélites do mundo. s EUA Alemanha prepara medidas de proteção espacialDe acordo com autoridades militares ocidentais ouvidas pela Reuters, a interferência russa nos sistemas espaciais do Ocidente aumentou significativamente desde a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. As atividades relatadas incluem interferências eletrônicas realizadas a partir do solo e o acompanhamento de satélites em órbita para coleta de informações e demonstração de capacidades. A Rússia não divulgou as capacidades dos satélites Cosmos envolvidos no episódio.

O Ministério da Defesa não respondeu às perguntas da Reuters sobre a movimentação dos equipamentos. Moscou já afirmou repetidamente que satélites comerciais ocidentais que ajudam a Ucrânia poderiam se tornar alvos legítimos de retaliação. O governo russo, por outro lado, nega realizar operações de sabotagem em países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Diante desse cenário, a Alemanha está desenvolvendo satélites de inspeção e avaliando tecnologias orbitais capazes de interromper atividades espaciais consideradas hostis sem destruir os equipamentos envolvidos. As iniciativas fazem parte de um plano de ampliação das capacidades espaciais militares do país. As Forças Armadas alemãs também concederam à ICEYE e a uma empresa alemã um contrato para construir dezenas de satélites, com atenção especial ao apoio ao flanco oriental da Otan. A própria ICEYE tomou medidas após o episódio de maio.

Segundo seu diretor-executivo, Rafal Modrzewski, a empresa reposicionou o satélite envolvido, o que foi seguido por novas manobras russas. Para ele, o caso demonstra como equipamentos espaciais podem ser aproximados uns dos outros tanto para observação quanto para causar possíveis danos. A SpaceX, responsável pela operação da Starlink, não respondeu ao pedido de comentário da Reuters. Rodrigo Mozelli Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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