O Sistema Solar pode perder sua estabilidade muito antes do previsto — após a morte do Sol

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O Sistema Solar pode perder sua estabilidade muito antes do previsto — após a morte do Sol

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O futuro do Sistema Solar depende de mais do que a atração gravitacional entre seus planetas. A transformação do próprio Sol também pode alterar profundamente essa organização. Uma pesquisa publicada na The Astrophysical Journal Letters propõe que a perda irregular de material da estrela desencadeará perturbações capazes de antecipar a instabilidade dos planetas exteriores.

O resultado descreve um possível destino orbital, e não uma data para o desaparecimento de todos os corpos do sistema. O detalhe está na maneira como o Sol perde massa O estudo sobre a instabilidade futura do Sistema Solar foi desenvolvido por Konstantin Batygin e Jim Fuller, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e Fred Adams, da Universidade de Michigan. Os pesquisadores investigaram uma hipótese importante: a perda de massa do Sol durante suas fases finais pode acontecer em episódios separados e assimétricos, em vez de seguir um processo perfeitamente suave.

Cada expulsão de material produziria um pequeno recuo na estrela. Individualmente, esses movimentos seriam modestos. Entretanto, seu acúmulo poderia modificar as trajetórias de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, favorecendo encontros próximos e alterações violentas nas órbitas.

Uma estimativa menor, mas ainda extremamente distante A diferença em relação às previsões anteriores é expressiva. Estimativas da estabilidade interna dos planetas gigantes alcançavam aproximadamente um quintilhão de anos. Modelos que acrescentavam a evolução solar e encontros com outras estrelas já reduziam esse horizonte para dezenas de bilhões de anos.

Por exemplo, uma pesquisa anterior sobre a desintegração dos planetas exteriores examinou como a passagem de estrelas poderia perturbar o sistema depois da transformação do Sol. Nesse cenário, as órbitas expandidas ficariam mais vulneráveis às influências externas. O trabalho recente acrescenta uma possível fonte de instabilidade durante a própria perda de massa solar.

Sob as condições adotadas, cerca de 40% das simulações apresentaram desorganização ou interações violentas antes da formação da anã branca. Aproximadamente 90% ficaram instáveis em até três bilhões de anos depois dessa etapa. Esses percentuais descrevem os experimentos numéricos.

Portanto, não equivalem a uma previsão exata do que acontecerá com cada planeta, nem estabelecem um prazo universal para a expulsão de todos eles. Antes disso, o Sol passará por uma transformação profunda A explicação da NASA sobre a evolução de estrelas como o Sol indica que nossa estrela entrará na fase de gigante vermelha daqui a aproximadamente cinco bilhões de anos. Nessa etapa, suas camadas externas se expandirão enormemente.

Mercúrio será engolido, enquanto o destino dos demais planetas próximos dependerá das mudanças na estrela e nas órbitas. Posteriormente, o Sol expulsará suas camadas externas e deixará exposto um núcleo compacto e quente: uma anã branca. Esse remanescente continuará existindo e esfriando durante um período muito longo.

Assim, perder a estabilidade orbital não significa que o Sol e todos os planetas serão destruídos simultaneamente. Um planeta expulso pode continuar existindo, embora deixe de orbitar a estrela que acompanhou durante bilhões de anos. A pesquisa revisa um cenário, não anuncia uma contagem regressiva O resultado depende da hipótese de expulsões discretas e assimétricas de material.

A motivação vem de observações de movimentos de anãs brancas, mas ainda exige modelar como esse processo ocorrerá no Sol. A contribuição central é mostrar que a evolução estelar pode afetar as órbitas de maneira mais intensa do que uma simples redução gradual da gravidade. O futuro dos planetas gigantes talvez seja menos duradouro do que parecia, embora permaneça situado em escalas de bilhões de anos.

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