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Uma nova campanha de cibercrime usa programas falsos para transformar contas de desenvolvedores em inscritos involuntários de canais e grupos de spam no WhatsApp. Identificada como “PhantomSub” por pesquisadores da OX Security, a ação envolveu pelo menos 101 pacotes maliciosos criados para infectar ferramentas de trabalho de programadores. As ferramentas adulteradas somam mais de 490 mil downloads acumulados, sendo 116 mil apenas nos últimos 30 dias, de acordo com o relatório técnico publicado pela consultoria nesta segunda-feira (29). Nas diretrizes oficiais sobre o uso de automações e softwares de terceiros, o WhatsApp informa que não permite o uso de soluções não autorizadas ou que violem os termos de serviço.
A empresa ressalta que contas que utilizam ferramentas não oficiais estão sujeitas ao banimento da plataforma. Como funcionava o golpe no códigoOs pacotes afetados usavam como base o Baileys, um projeto de código aberto amplamente utilizado por programadores para criar robôs de atendimento no aplicativo de mensagens. De forma oculta, os softwares adulterados executavam ordens para que a conta conectada seguisse páginas e entrasse em chats coletivos sem o consentimento do dono do perfil. O objetivo primário da fraude é inflar artificialmente o número de seguidores desses endereços para dar falsa credibilidade a lojas virtuais de robôs digitais, contas do jogo Mobile Legends e perfis do TikTok. “Muitos pacotes nesta campanha não são independentes. Os mesmos identificadores de canais, as mesmas listas remotas e as mesmas contas do GitHub aparecem em pacotes com nomes e publicadores diferentes”, afirmaram os pesquisadores Nir Zadok, Moshe Siman Tov Bustan e Vitalii Chepurko, da OX Security, na análise sobre o caso. Estratégia para burlar a segurançaO mecanismo de fraude atuava diretamente durante o funcionamento normal dos robôs de mensagens.
Para evitar a detecção no momento da instalação, o programa esperava alguns segundos após ser iniciado para buscar a lista de canais em endereços externos mantidos no GitHub. Em posse das informações, o script acionava recursos internos da ferramenta para se inscrever nas páginas desejadas, mantendo as notificações silenciadas para evitar alertas imediatos ao usuário. Além da adição involuntária a grupos, edições anteriores de bibliotecas modificadas injetavam links de anúncios do criador do programa em imagens e vídeos enviados pelos robôs. Em relatórios complementares divulgados pela empresa de segurança Xygeni Security, analistas destacaram que os criminosos se aproveitaram do hábito comum entre programadores de baixar versões modificadas de projetos populares. “A carga útil é ativada 80 segundos após o carregamento do módulo e recupera dinamicamente sua lista de alvos do GitHub, tornando o comportamento autoatualizável e difícil de detectar por meio de análises feitas no momento da instalação”, explicou a equipe de pesquisa. Venda de serviços e recomendações aos usuáriosGrande parte dos canais beneficiados pelas inscrições forçadas tem origem na Indonésia e comercializa scripts de automação ou contas de jogos eletrônicos.
Em mensagens enviadas a esses grupos, vendedores oferecem perfis com milhares de seguidores e direcionam os interessados para contatos privados. A recomendação dos pesquisadores da OX Security para os desenvolvedores que utilizaram versões modificadas da biblioteca Baileys é checar a lista de canais seguidos no WhatsApp, sair de grupos desconhecidos e aplicar regras de bloqueio às dependências afetadas.
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