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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quinta-feira (24), a Operação Perseu 7 para desarticular um esquema que movimentou mais de R$ 7 milhões com a venda de dados pessoais na internet. Agentes da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) cumpriram ordens judiciais em seis estados contra os responsáveis pela plataforma clandestina Mind-7. A ofensiva mobilizou mais de 80 policiais civis em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. Ao todo, a Justiça autorizou 13 mandados de prisão temporária e medidas de busca e apreensão.
A decisão judicial determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos até o teto de R$ 7 milhões, além da retirada imediata do site do ar. A medida atinge imóveis, veículos de luxo e uma embarcação ligados aos investigados. Segundo a investigação, o serviço funcionava por meio de mensalidades. Os usuários pagavam para acessar um painel de consultas alimentado por números de CPF ou CNPJ.
A partir dessa busca, o sistema gerava relatórios completos com nomes, filiação, endereços, registros de documentos, vínculos pessoais e processos judiciais em andamento. O acervo reunia centenas de milhões de registros individuais obtidos por meio de brechas em sistemas e vazamentos prévios. De acordo com o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme Carvalho, a base contava, inclusive, com informações protegidas por sigilo fiscal. “Eram dados sensíveis, inclusive governamentais, por exemplo, dados de Receita Federal, dados de processos judiciais. E alimentavam essa plataforma para que estivessem ali à disposição. Cobravam uma mensalidade para as outras organizações criminosas praticarem diversos crimes cibernéticos”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo, reproduzida pelo portal g1. Como funcionava o golpeCom essas informações centralizadas no painel, os golpistas compravam o acesso para planejar abordagens personalizadas contra as vítimas.
Um dos esquemas mais frequentes identificados pela polícia envolvia falsos advogados. De posse dos detalhes reais de uma ação judicial em curso, o fraudador entrava em contato com a vítima, passava-se pelo representante jurídico oficial e cobrava depósitos prévios com a justificativa de liberar valores retidos na Justiça. O inquérito revelou uma estrutura com divisão detalhada de funções entre os 13 integrantes. O grupo dividia as atividades entre liderança, controle financeiro, desenvolvimento da página, compra de bancos de dados vazados, aplicação de fraudes e controle de contas de laranjas.
Havia ainda um setor voltado para divulgação e atração de novos clientes. A polícia descobriu que a quadrilha finalizava a criação de uma segunda plataforma com o mesmo modelo de negócio. Os relatórios financeiros identificam que a organização movimentou mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026. O faturamento registrou aceleração recente: mais de R$ 4 milhões desse total entraram nas contas da quadrilha no ano passado. Para esconder os recursos ilícitos e driblar o controle das autoridades, o grupo utilizava uma empresa de fachada, criava contas bancárias coletivas e realizava transferências trianguladas em moedas digitais. Os alvos da operação podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo de informática e estelionato.
Se somadas, as penas máximas para esses delitos passam de 36 anos de prisão.
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