📸 Créditos da imagem: Kelly & Miller, PES , 2026
Uma análise arqueológica recente sugere que a primeira mulher a governar o Egito Antigo com poderes de rei pode ter exercido o cargo há 5.000 anos. O nome dessa governante era Meretneith, uma figura histórica cujo papel no poder político superou de forma expressiva as expectativas tradicionais de sua época. Publicado na revista Prague Egyptological Studies, o estudo traz detalhes inéditos sobre a vida dessa líder. Tradicionalmente, Sobekneferu era considerada a rainha mais antiga, governando há quase 4.000 anos.
No entanto, as descobertas indicam que Meretneith assumiu o comando pleno da civilização egípcia mais de um milênio antes de sua sucessora, reformulando a cronologia oficial. Para confirmar o status real de Meretneith, pesquisadoras da República Tcheca e da Romênia utilizaram tecnologia de imagem digital avançada. Ao isolar hieróglifos, inverter cores e converter fotos em gráficos de alto contraste, as especialistas identificaram o nome da governante em selos reais antigos. Essas marcas estavam gravadas em tampas de barro encontradas na necrópole de Saqqara. A presença dessas impressões oficiais indica que a rainha possuía autoridade comparável à de um monarca masculino.
No Antigo Egito, os selos reais eram símbolos exclusivos de quem detinha o poder soberano supremo. Com essa descoberta, Meretneith se consolida como a segunda mulher da Primeira Dinastia cujo nome foi formalmente registrado nos símbolos oficiais do Estado do Egito. Outros achados arqueológicos reforçam a importância histórica e a soberania dessa líder. O túmulo de Meretneith na necrópole de Abidos apresenta dimensões e estrutura típicas de um governante real.
No local, foram encontradas centenas de recipientes de vinho, monumentos gravados e dezenas de câmaras auxiliares destinadas ao sepultamento de seus servos, o que evidencia o seu elevado prestígio. Três décadas no topo do poder no EgitoOs dados históricos indicam que Meretneith permaneceu na elite política por cerca de 30 anos. A trajetória dessa governante teve início como co-regente ao lado do rei Djer, que possivelmente era seu pai. Mais tarde, ela assumiu o comando do país como regente durante a infância de seu filho, mantendo o controle administrativo total das finanças públicas do Reino.
Ao contrário dos líderes masculinos, a rainha adaptou sua atuação política conforme as necessidades do Estado. O respeito por seu legado permaneceu vivo mesmo após sua morte, sendo lembrada em registros de governantes posteriores. Essa flexibilidade permitiu que ela exercesse uma autoridade duradoura e decisiva no Tesouro real e na liderança dos funcionários do antigo império. A pesquisa confirma que o papel de Meretneith foi muito além do título de mãe do rei.
Sua capacidade de gerenciar crises e liderar a sociedade egípcia em momentos de transição transformou sua trajetória em um marco. Assim, o Egito Antigo ganha um novo e importante capítulo sobre a participação feminina no topo do poder supremo estatal. Flavia Correia Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
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