📸 Créditos da imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog
A Motorola foi formalmente advertida e condenada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) em razão da veiculação de informações consideradas enganosas sobre as especificações técnicas de seus smartphones. Embora a fabricante sustente manter um compromisso contínuo com a transparência e clareza para com os consumidores, checagens em sua própria loja oficial revelaram divergências entre os comunicados da empresa e a realidade observada nos canais de venda.
O impasse teve início há cerca de um ano e meio, quando a fabricante passou a promover celulares com chamadas chamativas, prometendo “até 24 GB de RAM”. Para atingir essa numeração elevada, a empresa somava a memória RAM física tradicional com a memória RAM virtual, uma estratégia de marketing atípica no segmento brasileiro de telefonia móvel. Diante disso, o Conselho de Ética do Conar avaliou a situação e determinou, de maneira unânime, que a marca adeque a forma como divulga tais especificações.
Em nota oficial, a Motorola declarou que a alteração solicitada pelo órgão já havia sido aplicada em seus canais próprios desde o início de agosto. No entanto, averiguações constataram que diversas páginas da loja online da companhia ainda mantinham as descrições em desacordo com as diretrizes do Conar até o final de setembro. As alterações só foram implementadas de fato após a divulgação pública do caso pela imprensa especializada, invalidando a linha do tempo apresentada pela marca.
Inconsistências no posicionamento da marca
Outro ponto controverso da defesa da Motorola reside na alegação de que a soma entre memória física e virtual seria um “padrão de mercado”. Especialistas e analistas do setor de mobilidade refutam essa afirmação, destacando que a fórmula vinha sendo amplamente criticada por entusiastas e veículos de tecnologia desde a sua estreia por induzir o consumidor a erro.
Apesar disso, a fabricante argumentou que concorrentes também adotam estratégias similares. Uma checagem no mercado confirmou que a abordagem é utilizada por algumas empresas, mas está longe de ser uma regra geral entre as grandes fabricantes:
- Marcas com registros de comunicação semelhante: Xiaomi e Jovi.
- Marcas que mantêm a especificação clara ou não somam os valores: Apple, Samsung, Realme e Oppo.
Possibilidade de recurso junto ao Conar
O Conar atua como uma entidade não governamental focada na autorregulamentação ética da publicidade. Embora suas decisões não tenham peso de sentença judicial ou força policial, as deliberações do órgão costumam ser acatadas com rigor pelo mercado publicitário e pelos veículos de comunicação. As normas internas do conselho preveem direito de defesa, e a Motorola informou que está analisando os termos da decisão para avaliar a possibilidade de recursos adicionais.
A diferença entre RAM física e RAM virtual
A controvérsia gira em torno da discrepância técnica entre dois conceitos fundamentais da computação móvel:
- Memória RAM física: baseada em chips dedicados de hardware instalados na placa-mãe do aparelho, oferecendo altíssimas taxas de transferência para manter aplicativos e processos ativos em tempo real.
- Memória RAM virtual: recurso de software que reserva uma fração do armazenamento interno (como a memória flash) para simular espaço adicional de RAM, atuando como arquivo de paginação (ou swap).
Ainda que o recurso de expansão virtual (frequentemente batizado de RAM Boost) ofereça um suporte bem-vindo em momentos de sobrecarga do sistema, seu desempenho é sensivelmente inferior ao de um chip físico de memória. Por conta disso, a decisão do Conar não questionou a utilidade da ferramenta em si, mas sim a publicidade que igualava dois componentes de naturezas distintas para inflar artificialmente os números de ficha técnica.
Em posicionamento oficial sobre o caso, a Motorola declarou: “A Motorola mantém seu compromisso com a transparência e com a clareza das informações disponibilizadas aos consumidores. Consideramos fundamental comunicar as especificações de memória de forma clara e objetiva. A alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto. Seguiremos desta forma, independente de o formato anterior, que era padrão do mercado, continuar sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola. Analisaremos o teor da decisão, que já havíamos acatado, para avaliar ações adicionais.”
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