Florestas definharam durante um antigo aquecimento global — e a história pode se repetir

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Florestas definharam durante um antigo aquecimento global — e a história pode se repetir

📸 Créditos da imagem: © Shutterstock

Florestas Definharam Durante um Antigo Aquecimento Global

Muito antes de seres humanos começarem a queimar combustíveis fósseis, a Terra passou por um episódio de aquecimento capaz de transformar drasticamente seus ecossistemas.

Há aproximadamente 56 milhões de anos, uma intensa atividade vulcânica liberou enormes quantidades de gases de efeito estufa na atmosfera, provocando uma rápida elevação da temperatura global.

O Período Conhecido como Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno

O período ficou conhecido como Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, ou PETM. Por apresentar algumas semelhanças com o que acontece atualmente, ele é considerado um dos melhores exemplos naturais para investigar as possíveis consequências das mudanças climáticas modernas.

Uma nova pesquisa mostra que, naquela época, as florestas ficaram significativamente menos densas e perderam parte de sua capacidade de armazenar carbono.

Cientistas Reconstruíram uma Floresta de 56 Milhões de Anos

Liderados pela paleobotânica Regan Dunn, pesquisadores analisaram fósseis vegetais encontrados na Bacia de Hanna, no estado americano de Wyoming.

A região possui camadas profundas de carvão e rochas ricas em matéria orgânica, permitindo encontrar folhas fossilizadas preservadas desde o PETM.

Os cientistas concentraram a análise nas células epidérmicas dessas folhas. Essas estruturas microscópicas funcionam como pequenas peças de quebra-cabeça.

Consequências para as Florestas

A análise mostrou que a cobertura da floresta da Bacia de Hanna ficou, em média, cerca de 35% menos densa durante o período de aquecimento.

A mudança mais intensa aconteceu logo no início do evento, quando o índice de área foliar apresentou uma queda próxima de 61%.

Os pesquisadores relacionam essa redução principalmente às secas provocadas pelo aumento das temperaturas e pelas alterações nos padrões de precipitação.

Um Problema que Pode se Repetir

Essa descoberta chama atenção porque processos semelhantes já estão sendo observados atualmente.

Durante décadas, o aumento do CO₂ atmosférico contribuiu para uma expansão global da vegetação.

Porém, desde aproximadamente o início deste século, sinais dessa tendência começaram a enfraquecer em grande parte das áreas vegetadas do planeta.

Calor extremo e secas cada vez mais intensas podem limitar a produtividade das plantas, anulando parte dos benefícios proporcionados pela maior disponibilidade de dióxido de carbono.

Consequências para o Planeta

As florestas funcionam como enormes reservatórios naturais de carbono.

Quando crescem, retiram CO₂ da atmosfera e armazenam parte desse carbono em troncos, folhas, raízes e solos.

Se as árvores começarem a morrer ou crescer menos, essa capacidade diminui.

Algumas projeções indicam que o carbono armazenado na biomassa acima do solo das florestas pode cair significativamente até 2100 caso as tendências atuais continuem.

Um perigoso ciclo de retroalimentação pode se formar, onde a perda de capacidade das florestas de absorver carbono pode acelerar ainda mais as mudanças climáticas.

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