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O vestibular da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) tornou-se o centro de uma grande polêmica.
Depois que um número recorde de candidatos obteve notas quase perfeitas no processo seletivo de 2026, a universidade suspendeu a divulgação definitiva dos resultados e iniciou uma auditoria para investigar se houve fraude, vazamento de questões ou uso indevido de inteligência artificial durante a prova.
Aumento inesperado das notas
A disputa por uma vaga na UNAM sempre esteve entre as mais concorridas do continente.
Em média, apenas cerca de 10% dos candidatos conseguem aprovação, enquanto cursos como Medicina aceitam pouco mais de 1% dos inscritos.
Neste ano, porém, os resultados chamaram imediatamente a atenção.
Pela primeira vez, uma quantidade muito maior de estudantes alcançou pontuações consideradas excepcionais, alterando completamente o padrão histórico do exame.
- Em Medicina, quase 30% dos candidatos acertaram pelo menos 100 das 120 questões da prova.
- No ano anterior, esse índice havia sido de apenas 9%.
- Em Direito, a proporção de candidatos com mais de 100 acertos saltou de 3,7% para 18,9%.
- Já na área de Ciências, o percentual passou de 9,7% para mais de 30%.
Primeiro vestibular totalmente online
O processo seletivo de 2026 marcou uma mudança histórica para a universidade.
Pela primeira vez, todo o exame foi realizado pela internet, permitindo que os candidatos respondessem às questões de casa.
A iniciativa buscava ampliar o acesso e reduzir os custos enfrentados pelos estudantes, que antes precisavam viajar até grandes centros para fazer a prova presencialmente.
Investigação em andamento
Diante da repercussão, o reitor criou um grupo formado por 16 especialistas em educação, inteligência artificial, avaliação e direito para conduzir uma auditoria completa.
Enquanto a investigação não termina, o processo de admissão permanece suspenso.
A universidade afirmou que nenhuma hipótese foi descartada.
Entre as possibilidades analisadas estão o uso de inteligência artificial durante a prova, falhas na fiscalização remota, eventuais vazamentos das questões ou até problemas relacionados à própria plataforma utilizada no exame.
Desafio global
O caso da UNAM também reacendeu um debate que ultrapassa as fronteiras mexicanas.
Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial, universidades de diversos países vêm revisando seus sistemas de avaliação para tentar preservar a integridade acadêmica.
Especialistas destacam que o problema não se limita ao uso direto da IA durante provas, mas também às limitações da fiscalização remota.
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