📸 Créditos da imagem: Posicionamento dos pesquisadores da HAWK (Reprodução/The Hacker News)
A empresa de tecnologia Anthropic revelou uma descoberta histórica para o setor de segurança digital. Seu novo modelo de inteligência artificial, o Claude Mythos Preview, foi capaz de identificar falhas matemáticas diretamente na estrutura de algoritmos de criptografia. A conquista representa um avanço sem precedentes para a tecnologia.
Até então, os sistemas automatizados de análise só conseguiam identificar erros humanos cometidos no momento em que um programador escrevia o código. Desta vez, a ferramenta da Anthropic foi além, encontrando defeitos estruturais na própria lógica das fórmulas matemáticas que garantem a proteção dos dados.
A principal vítima dessa nova capacidade foi o HAWK, um sistema de assinatura digital que estava em fase de testes junto ao governo dos Estados Unidos. O projeto tinha como objetivo proteger dados confidenciais contra futuros ataques de computação quântica.
O modelo Claude identificou um padrão oculto na matemática do HAWK que permitiu cortar a força das chaves de proteção pela metade. Para alcançar esse resultado, a inteligência artificial precisou de cerca de 60 horas de processamento autônomo, gerando um custo operacional de aproximadamente US$ 100 mil em uso de servidores.
Posicionamento do HAWK
Assim que recebeu o relatório da Anthropic, a equipe técnica responsável pelo HAWK confirmou a existência do problema e anunciou formalmente a desistência do projeto. Em mensagem enviada ao fórum oficial do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), o pesquisador Leo Ducas formalizou o encerramento do candidato:
“Gostaríamos de agradecer à Anthropic por sua contribuição para a análise criptográfica do HAWK e por se comunicar conosco ao longo de todo o processo. Confirmamos que o ataque deles reduz aproximadamente pela metade o tamanho do bloco necessário para recuperar uma chave secreta. Abordagens simples para contornar isso tornariam o HAWK não competitivo. Como tal, retiramos nosso candidato HAWK do processo de padronização do NIST”, declarou o especialista.
Além do sistema testado pelo governo norte-americano, a IA da Anthropic também criou um atalho capaz de acelerar em até 800 vezes um ataque teórico contra o AES, o método de criptografia mais utilizado no mundo atualmente para proteger dados bancários, e-mails e aplicativos de mensagens. No entanto, no caso do AES, a descoberta permanece estritamente no campo acadêmico.
A vulnerabilidade do AES não representa um risco imediato devido a uma série de limitações técnicas extremamente rigorosas:
- O ataque só funcionou em uma versão bastante simplificada do código, utilizando apenas 7 das 10 camadas originais de proteção.
- A execução exige que o invasor tenha acesso prévio a mais de 40 septilhões de mensagens de texto de teste, volume completamente inviável na prática.
A Anthropic garantiu que nenhuma das descobertas traz risco imediato para os usuários ou para os sistemas ativos na internet. A empresa destacou, contudo, a impressionante velocidade da ferramenta quando comparada ao trabalho humano. Enquanto o HAWK sobreviveu a duas rodadas de revisão de especialistas ao longo de dois anos, o Claude Mythos superou a proteção em apenas 60 horas de processamento.
Curiosamente, o principal gargalo de todo o experimento acabou sendo o fator humano. Enquanto a IA levou apenas alguns dias para formular as teorias complexas, dois pesquisadores da Anthropic precisaram passar quase um mês inteiro revisando as equações para confirmar a veracidade dos achados.
Paralelamente aos avanços em inteligência artificial, o ecossistema de segurança cibernética enfrenta outros desafios. Pesquisadores da empresa Qualys descobriram recentemente uma falha de nove anos presente no sistema Linux, a qual permite acesso total a servidores e sistemas corporativos vulneráveis.
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