📸 Créditos da imagem: © Getty Images / Science Photo Library – ANDRZEJ WOJCICKI.
Em 13 de abril de 2029, o asteroide Apophis protagonizará um dos eventos astronômicos mais marcantes do século. O objeto espacial, famoso por sua magnitude e histórico de observações, passará extremamente perto da Terra e poderá ser visto a olho nu por até 90% da população mundial, desde que as condições meteorológicas e o horário local sejam favoráveis.
Com aproximadamente 450 metros de diâmetro, dimensão comparável à altura do famoso edifício Empire State Building, em Nova York, o asteroide cruzará o céu em uma trajetória segura. Trata-se da primeira vez na história moderna que a humanidade terá a oportunidade de acompanhar a passagem de um corpo celeste desse porte sem a necessidade de telescópios ou equipamentos especiais.
Um encontro cósmico raro e seguro
A relevância científica e o impacto cultural dessa aproximação foram amplamente debatidos durante o workshop Apophis T-3 Years, realizado na Universidade de Pádua, na Itália. No evento, especialistas de diversas partes do mundo reforçaram a raridade do fenômeno e o momento único para a astronomia.
Richard Binzel, cientista planetário do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e uma das maiores autoridades em asteroides, destacou que observar Apophis cruzando o firmeza celeste será uma experiência marcante. Segundo o pesquisador, a visão servirá como um lembrete fascinante sobre a escala diminuta da Terra diante da imensidão do Universo.
Oficialmente catalogado como 99942 Apophis, o asteroide possui uma forma irregular que lembra um amendoim. Os cientistas acreditam que ele tenha se originado no cinturão principal de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter. Atualmente, ele orbita o Sol entre as trajetórias de Vênus e da Terra, completando uma revolução a cada 10,5 meses. O nome Apophis é uma referência a Apep, a divindade da mitologia egípcia associada ao caos e à escuridão, o que lhe rendeu o apelido popular de Deus do Caos.
Proximidade histórica sem risco de impacto
Durante sua máxima aproximação em 2029, Apophis passará a cerca de 30.600 quilômetros da superfície terrestre. Essa distância é considerada mínima em termos astronômicos, posicionando o objeto abaixo da órbita de diversos satélites geoestacionários que atendem as telecomunicações do planeta.
Embora a energia liberada por um eventual impacto de um objeto desse tamanho fosse suficiente para devastar uma área metropolitana inteira, os cálculos orbitais mais avançados descartam categoricamente qualquer possibilidade de colisão em 2029 ou ao longo do próximo século.
Apesar do risco nulo de colisão iminente, os astrônomos manterão o monitoramento contínuo da trajetória. Fatores como a atração gravitacional dos planetas e o efeito Yarkovsky, caracterizado pela alteração da órbita devido à absorção e radiação de calor pela superfície do asteroide, podem modificar sutilmente sua rota ao longo de décadas.
Missões internacionais de monitoramento
A passagem de Apophis motivou a organização de um esforço científico global sem precedentes. Diversos observatórios terrestres rastrearão o corpo celeste para mapear sua estrutura interna, rotação, composição química e as alterações físicas sofridas ao sentir o campo gravitacional da Terra.
Duas grandes agências espaciais já confirmaram missões dedicadas para acompanhar a aproximação:
- Agência Espacial Europeia (ESA): Enviará a missão RAMSES (Rapid Apophis Mission), projetada para analisar como a gravidade da Terra afetará o formato, o giro e a órbita do asteroide em tempo real.
- NASA: Utilizará a espaçonave OSIRIS-APEX, uma extensão da missão OSIRIS-REx. A sonda fará um sobrevoo de alta proximidade na superfície do Apophis.
A missão da NASA utilizará câmeras de altíssima resolução, espectrômetros e um altímetro a laser para construir um modelo tridimensional detalhado do relevo do asteroide. A agência ressaltou que a operação será exclusivamente focada no estudo remoto, sem a coleta de amostras físicas.
ONU declara 2029 como ano de conscientização
O impacto astronômico e social do evento foi oficializado pelas Nações Unidas. Em dezembro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 79/86, que declara oficialmente o ano de 2029 como o Ano Internacional da Conscientização sobre Asteroides e da Defesa Planetária.
A iniciativa internacional busca aproveitar o interesse do público em relação ao Apophis para engajar governos e a comunidade científica na pesquisa de objetos próximos da Terra (NEOs). A meta central é expandir a capacidade global de detecção preventiva e desenvolver estratégias consolidadas de defesa planetária contra futuras ameaças espaciais.
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