Empresas de água e luz abraçam 'economia do bico' e 'uberizam' vistoria

📡 Fonte: UOL 🏷️ Segurança 🤖 Auto
Empresas de água e luz abraçam 'economia do bico' e 'uberizam' vistoria

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Uber das vistorias Empresas de serviços como água, luz e gás abraçam ‘economia do bico’ e ‘uberizam’ atendimento a chamados Colunista de Imagine a cena: bravo com algum problema, você abre um chamado na sua fornecedora de água, luz ou gás. Quem aparece é um morador do seu bairro. Não é um curioso buscando fofoca, mas, sim, alguém a serviço da companhia.

Munido só com celular, ele veio registrar a cena com fotos. Uma inteligência artificial vai analisar as imagens para decidir se a demanda é com a companhia de serviço público, além da urgência para atendê-lo. Pois essa cena já é cotidiana em São Paulo, a maior cidade do Brasil. Típica de plataformas como Uber, iFood e Rappi, a prestação de tarefas intermediada por plataformas digitais começa a ser adotada pelo setor de infraestrutura e de serviços básicos. Sabesp, Enel e Comgás são algumas das adeptas. Não há nada ilegal na história.

Mas esse modelo de negócio, qualificado como “uberização do trabalho”, vem sendo apontado como fator de precarização das condições de trabalho. No centro da chegada da chamada “economia do bico” aos serviços públicos de luz, água e gás está o aplicativo Wily. Já presente em dezenas de cidades do estado de São Paulo, a companhia se prepara para expandir sua atuação e chegar a Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. Além disso, a prestação de serviço para prefeituras já foi testada e é a próxima fronteira da “Uber das vistorias”.

Imagine a cena: bravo com algum problema, você abre um chamado na sua fornecedora de água, luz ou gás. Quem aparece é um morador do seu bairro. Não é um curioso buscando fofoca, mas, sim, alguém a serviço da companhia.

Munido só com celular, ele veio registrar a cena com fotos. Uma inteligência artificial vai analisar as imagens para decidir se a demanda é com a companhia de serviço público, além da urgência para atendê-lo. Pois essa cena já é cotidiana em São Paulo, a maior cidade do Brasil. Típica de plataformas como Uber, iFood e Rappi, a prestação de tarefas intermediada por plataformas digitais começa a ser adotada pelo setor de infraestrutura e de serviços básicos. Sabesp, Enel e Comgás são algumas das adeptas. Não há nada ilegal na história.

Mas esse modelo de negócio, qualificado como “uberização do trabalho”, vem sendo apontado como fator de precarização das condições de trabalho. No centro da chegada da chamada “economia do bico” aos serviços públicos de luz, água e gás está o aplicativo Wily. Já presente em dezenas de cidades do estado de São Paulo, a companhia se prepara para expandir sua atuação e chegar a Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. Além disso, a prestação de serviço para prefeituras já foi testada e é a próxima fronteira da “Uber das vistorias”.

Inicialmente, a gente não gostava de ser comparado com a Uber. Porém, a uberização acabou se popularizando e virou um processo natural. E nossa forma de atuar é similar: assim como eles, temos nossa rede de parceiros, só que, em vez de trabalhar com carros, trabalhamos com o smartphone das pessoas A engrenagem da vistoria ‘uberizada’ O modelo desenhado pela Wily é cirúrgico no cruzamento de oferta e demanda.

A plataforma é remunerada pelas concessionárias de forma unitária, por relatório gerado e validado em campo. Não há pacotes mínimos ou obrigatoriedades contratuais rígidas quanto ao volume mensal. Qualquer pessoa que já chamou um carro na Uber ou pediu comida no iFood conhece como a Wily funciona. Mas há algumas diferenças. Clientes da Sabesp, Enel ou Comgás acionam as empresas pelos canais tradicionais.

Se envolver alguma vistoria prévia, o chamado cai no sistema da Wily. A partir daí, pessoas cadastradas na plataforma podem aceitar a missão. Ao fim dela, são remuneradas. Em campo, um algoritmo inteligente calcula o valor de cada tarefa —que orbita entre R$ 4 e R$ 10— considerando variáveis como: A distância do profissional até o local do chamado; As condições climáticas do momento; O volume de demanda na região; A quantidade de parceiros online disponíveis. O raio de deslocamento máximo para cada verificação é de 500 metros, o que dá ares de trabalho comunitário à plataforma.

Segundo a empresa, é um trajeto para ser percorrido a pé ou de bicicleta. No entanto, o aplicativo disponibiliza um mapa de calor que permite ao cadastrado identificar regiões com maior concentração de pedidos, incentivando o deslocamento voluntário para outros bairros e até municípios vizinhos em busca de maior faturamento. Antes de sair tirando fotos por aí, o candidato a parceiro passa por um treinamento virtual conduzido pelo time de suporte do aplicativo, em que aprende a enquadrar e documentar as ocorrências. Já são 62 mil pessoas cadastradas no ecossistema do aplicativo em todo o território nacional.

O modelo desenhado pela Wily é cirúrgico no cruzamento de oferta e demanda. A plataforma é remunerada pelas concessionárias de forma unitária, por relatório gerado e validado em campo. Não há pacotes mínimos ou obrigatoriedades contratuais rígidas quanto ao volume mensal. Qualquer pessoa que já chamou um carro na Uber ou pediu comida no iFood conhece como a Wily funciona.

Mas há algumas diferenças. Clientes da Sabesp, Enel ou Comgás acionam as empresas pelos canais tradicionais. Se envolver alguma vistoria prévia, o chamado cai no sistema da Wily. A partir daí, pessoas cadastradas na plataforma podem aceitar a missão.

Ao fim dela, são remuneradas. Em campo, um algoritmo inteligente calcula o valor de cada tarefa —que orbita entre R$ 4 e R$ 10— considerando variáveis como: A distância do profissional até o local do chamado; As condições climáticas do momento; O volume de demanda na região; A quantidade de parceiros online disponíveis. O raio de deslocamento máximo para cada verificação é de 500 metros, o que dá ares de trabalho comunitário à plataforma. Segundo a empresa, é um trajeto para ser percorrido a pé ou de bicicleta. No entanto, o aplicativo disponibiliza um mapa de calor que permite ao cadastrado identificar regiões com maior concentração de pedidos, incentivando o deslocamento voluntário para outros bairros e até municípios vizinhos em busca de maior faturamento. Antes de sair tirando fotos por aí, o candidato a parceiro passa por um treinamento virtual conduzido pelo time de suporte do aplicativo, em que aprende a enquadrar e documentar as ocorrências.

Já são 62 mil pessoas cadastradas no ecossistema do aplicativo em todo o território nacional. A Linha de produção das vistorias Criada em 2020, a Wily só entrou em operação em 2022. Nesses quase quatro anos na ativa, intermediou 800 mil vistorias e R$ 3,3 milhões foram distribuídos em pagamentos aos parceiros informais. A trajetória da empresa é similar a de muitas startups, que mudam o modelo de negócio diante de oportunidades ou dificuldades.

Criada para fazer vistorias aéreas com drones em áreas de mineração durante a pandemia, a empresa primeiro virou um hub para conectar pilotos e empresas interessadas em contratá-los. Depois, expandiu sua atuação para a uberização de serviços públicos. Lidemberg Rodrigues conta que esse último salto foi dado após a companhia participar de um hackaton da Sabesp. Durante a maratona de desenvolvimento e inovação, a startup detectou a oportunidade para absorver algumas tarefas da companhia de saneamento básico e nasceu a Wily.

Logo, os executivos constataram que a demanda era compartilhada por empresas de ramos semelhantes. Com presença em 22 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, além da Baixada Santista, Litoral Sul, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, a estratégia da Wily agora é ampliar a presença em outros estados. A empresa já opera em Joinville (SC) e iniciou uma grande implantação em 60 cidades do nordeste e sudoeste de Minas Gerais. A operação também está em fase de testes e pilotos em Vitória (ES) e Campos dos Goytacazes (RJ).

Criada em 2020, a Wily só entrou em operação em 2022. Nesses quase quatro anos na ativa, intermediou 800 mil vistorias e R$ 3,3 milhões foram distribuídos em pagamentos aos parceiros informais. A trajetória da empresa é similar a de muitas startups, que mudam o modelo de negócio diante de oportunidades ou dificuldades. Criada para fazer vistorias aéreas com drones em áreas de mineração durante a pandemia, a empresa primeiro virou um hub para conectar pilotos e empresas interessadas em contratá-los.

Depois, expandiu sua atuação para a uberização de serviços públicos. Lidemberg Rodrigues conta que esse último salto foi dado após a companhia participar de um hackaton da Sabesp. Durante a maratona de desenvolvimento e inovação, a startup detectou a oportunidade para absorver algumas tarefas da companhia de saneamento básico e nasceu a Wily. Logo, os executivos constataram que a demanda era compartilhada por empresas de ramos semelhantes. Com presença em 22 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, além da Baixada Santista, Litoral Sul, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, a estratégia da Wily agora é ampliar a presença em outros estados.

A empresa já opera em Joinville (SC) e iniciou uma grande implantação em 60 cidades do nordeste e sudoeste de Minas Gerais. A operação também está em fase de testes e pilotos em Vitória (ES) e Campos dos Goytacazes (RJ). Inteligência artificial chefiando humanos Para filtrar o volume massivo de imagens enviadas da rua, a Wily desenvolveu e treinou internamente modelos de inteligência artificial. Após submeter uma quantidade imensa de imagens, os sistemas de visão computacional aprenderam a identificar cada uma das ocorrências a serem averiguadas. A IA analisa as fotos enviadas e realiza uma triagem imediata, para avaliar se há um problema de fato, se ele realmente é da alçada da empresa e do nível de urgência. Se a imagem estiver incompleta ou fora dos padrões exigidos, o colaborador não recebe nenhuma remuneração pelo envio.

Se o problema retratado for de competência municipal ou de outra companhia, a demanda é passada adiante. Somente com essas etapas superadas é que a IA envia relatórios para a validação final da equipe técnica da contratante, que despacha fiscais de rua com os materiais exatos para o conserto. O processo derrubou o tempo de resposta a incidentes. Na Sabesp, a confirmação, que antes poderia chegar a duas horas, agora leva em média 18 minutos, segundo Débora Pierini Longo, diretora de operações da companhia.”Antes, eu mandava uma entrada de serviço, ia uma equipe fazer a avaliação.

Chegando lá, ela falava, ‘Olha, tem que mandar uma equipe de conserto”. Agora, eu tenho essa redução no tempo de atendimento, com assertividade e agilidade. Isso tem acontecido mesmo, tá?”, afirma Débora Pierini Longo. Nem todo chamado vai parar na Wily.

Na empresa de saneamento básico paulista, a plataforma é usada em casos de vazamentos no abastecimento de água, problemas na rede de esgoto e falhas no asfalto quando a via é recapeada após consertos na tubulação. Em paralelo, a própria Sabesp implementou sistemas complementares de alta tecnologia para fiscalizar a qualidade do asfalto refeito. Carros equipados com câmeras de IA e sensores de trepidação varrem as vias públicas de São Paulo para checar se as valas foram fechadas em conformidade com as regulações vigentes. Na Enel, por sua vez, vão parar na Wily chamados para checar falta de energia, problemas em transformadores e fios cortados ou rompidos na rua. Para filtrar o volume massivo de imagens enviadas da rua, a Wily desenvolveu e treinou internamente modelos de inteligência artificial. Após submeter uma quantidade imensa de imagens, os sistemas de visão computacional aprenderam a identificar cada uma das ocorrências a serem averiguadas. A IA analisa as fotos enviadas e realiza uma triagem imediata, para avaliar se há um problema de fato, se ele realmente é da alçada da empresa e do nível de urgência. Se a imagem estiver incompleta ou fora dos padrões exigidos, o colaborador não recebe nenhuma remuneração pelo envio.

Se o problema retratado for de competência municipal ou de outra companhia, a demanda é passada adiante. Somente com essas etapas superadas é que a IA envia relatórios para a validação final da equipe técnica da contratante, que despacha fiscais de rua com os materiais exatos para o conserto. O processo derrubou o tempo de resposta a incidentes. Na Sabesp, a confirmação, que antes poderia chegar a duas horas, agora leva em média 18 minutos, segundo Débora Pierini Longo, diretora de operações da companhia.”Antes, eu mandava uma entrada de serviço, ia uma equipe fazer a avaliação.

Chegando lá, ela falava, ‘Olha, tem que mandar uma equipe de conserto”. Agora, eu tenho essa redução no tempo de atendimento, com assertividade e agilidade. Isso tem acontecido mesmo, tá?”, afirma Débora Pierini Longo. Nem todo chamado vai parar na Wily.

Na empresa de saneamento básico paulista, a plataforma é usada em casos de vazamentos no abastecimento de água, problemas na rede de esgoto e falhas no asfalto quando a via é recapeada após consertos na tubulação. Em paralelo, a própria Sabesp implementou sistemas complementares de alta tecnologia para fiscalizar a qualidade do asfalto refeito. Carros equipados com câmeras de IA e sensores de trepidação varrem as vias públicas de São Paulo para checar se as valas foram fechadas em conformidade com as regulações vigentes. Na Enel, por sua vez, vão parar na Wily chamados para checar falta de energia, problemas em transformadores e fios cortados ou rompidos na rua. Crachá improvisado e risco de apanhar Nas contas da Wily, um colaborador permanece ativo na plataforma em média por três meses, pois a atividade é entendida como um bico, um complemento de renda.

Mas algumas pessoas fazem da atuação sua principal fonte de renda. É o caso de Samuel Benjamin, de 26 anos. Ele trabalhou três anos com aplicativos de entrega antes de trocá-los pela Wily, com a qual já atua há dois anos. Vira e mexe, debate com os colegas sobre qual modalidade de trabalho é melhor.

A favor da Wily contam o pagamento via Pix no mesmo dia e não precisar correr contra o cronômetro para a comida não esfriar ou a entrega passar do tempo previsto. Em prol de iFood, Rappi e outros apps do tipo entram a previsibilidade da operação —retirar um pedido e entregá-lo na casa do cliente— e a ausência do trabalho de tirar uma sequência de fotos e aguardar pela aprovação da IA antes de abraçar a próxima missão. Trabalhando com sua bicicleta, Samuel conta já ter faturado de R$ 220 a R$ 280 em dias de alta demanda nas cidades de Itaquaquecetuba e Guarulhos. Mas a média diária gira em torno de R$ 150. Ainda que a proposta da Wily seja moradores fiscalizando as redondezas de onde moram, foi só há pouco mais de um ano que Samuel passou a fazer isso em seu bairro, Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo —antes disso, a plataforma não operava por lá.

No início, os vizinhos estranharam, mas depois relaxaram, diz ele. Fotografar casas e hidrômetros alheios com celular gera desconfiança —e chega a ser perigoso, como conta Samuel: Já aconteceu de eu chegar perto de uma casa para tirar foto e o morador achar que eu estava fazendo algo errado, perguntar se eu estava filmando a casa dele”Como nem aplicativo nem as contratantes fornecem identificação oficial, ele confeccionou, por conta própria, uma camisa com o logotipo da Sabesp e um crachá. A sugestão veio de um policial. Assim, consegue entrar em comunidades e áreas de risco sem chamar tanta atenção.

“Foi para a minha garantia. Com a roupa, o pessoal sabe o que estou fazendo ali e consigo trabalhar.”O risco não é abstrato. Samuel narra ter sido agredido fisicamente na rua por um policial fazendo bico de segurança enquanto fotografava a fachada de uma fábrica para identificar uma ligação de água.

Na ocasião, sua bicicleta foi destruída, e o dinheiro do agente mal deu para custear as rodas. A plataforma auxiliou financeiramente no conserto do veículo, mas o episódio escancarou a dimensão da vulnerabilidade física a que está exposto. Samuel tem planos: quer cobrir mais regiões atendidas pelo Wily e, para isso, pretende comprar uma motocicleta. Antes, está na fase final para tirar sua carteira de habilitação.

Nas contas da Wily, um colaborador permanece ativo na plataforma em média por três meses, pois a atividade é entendida como um bico, um complemento de renda. Mas algumas pessoas fazem da atuação sua principal fonte de renda. É o caso de Samuel Benjamin, de 26 anos. Ele trabalhou três anos com aplicativos de entrega antes de trocá-los pela Wily, com a qual já atua há dois anos.

Vira e mexe, debate com os colegas sobre qual modalidade de trabalho é melhor. A favor da Wily contam o pagamento via Pix no mesmo dia e não precisar correr contra o cronômetro para a comida não esfriar ou a entrega passar do tempo previsto. Em prol de iFood, Rappi e outros apps do tipo entram a previsibilidade da operação —retirar um pedido e entregá-lo na casa do cliente— e a ausência do trabalho de tirar uma sequência de fotos e aguardar pela aprovação da IA antes de abraçar a próxima missão. Trabalhando com sua bicicleta, Samuel conta já ter faturado de R$ 220 a R$ 280 em dias de alta demanda nas cidades de Itaquaquecetuba e Guarulhos.

Mas a média diária gira em torno de R$ 150. Ainda que a proposta da Wily seja moradores fiscalizando as redondezas de onde moram, foi só há pouco mais de um ano que Samuel passou a fazer isso em seu bairro, Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo —antes disso, a plataforma não operava por lá. No início, os vizinhos estranharam, mas depois relaxaram, diz ele. Fotografar casas e hidrômetros alheios com celular gera desconfiança —e chega a ser perigoso, como conta Samuel: Já aconteceu de eu chegar perto de uma casa para tirar foto e o morador achar que eu estava fazendo algo errado, perguntar se eu estava filmando a casa dele”Como nem aplicativo nem as contratantes fornecem identificação oficial, ele confeccionou, por conta própria, uma camisa com o logotipo da Sabesp e um crachá. A sugestão veio de um policial.

Assim, consegue entrar em comunidades e áreas de risco sem chamar tanta atenção. “Foi para a minha garantia. Com a roupa, o pessoal sabe o que estou fazendo ali e consigo trabalhar.”O risco não é abstrato.

Samuel narra ter sido agredido fisicamente na rua por um policial fazendo bico de segurança enquanto fotografava a fachada de uma fábrica para identificar uma ligação de água. Na ocasião, sua bicicleta foi destruída, e o dinheiro do agente mal deu para custear as rodas. A plataforma auxiliou financeiramente no conserto do veículo, mas o episódio escancarou a dimensão da vulnerabilidade física a que está exposto. Samuel tem planos: quer cobrir mais regiões atendidas pelo Wily e, para isso, pretende comprar uma motocicleta.

Antes, está na fase final para tirar sua carteira de habilitação. Eu não gosto de usar a expressão ‘gig economy’ [economia do bico], especialmente no contexto brasileiro, onde a regra é a informalidade do mercado de trabalho. Dá a impressão de que talvez seja uma coisa nova, mas não é.

No fundo, o que a plataformização faz é atualizar esse mecanismo de informalidade e aprofundar suas desigualdades Sem vínculo trabalhista, sem problema? A alta rotatividade e a esporadicidade são alguns dos principais argumentos da Wily para sustentar a ausência de vínculo empregatício em seu modelo de negócio. As idas e vindas, diz a empresa, são moldadas pelas necessidades financeiras dos cadastrados: muitos utilizam o app apenas aos sábados ou retornam ao sistema no intervalo entre empregos com carteira assinada.”A gente tinha realmente essa preocupação de não criar um vínculo trabalhista.

Fizemos todas as análises que nos deram segurança para prosseguir com o modelo”, diz Lidemberg Rodrigues, diretor de operações da Wily. Tanto a diretoria da Sabesp quanto os executivos da Wily sustentam que a uberização das vistorias é uma tendência mundial irreversível, inspirada em modelos de governança colaborativa já consolidados na Europa e na América Norte. Débora Pierini Longo, diretora de operações da Sabesp, diz que falar em uberização não incomada. No entanto, reforça que se trata de uma plataforma de governança colaborativa e os cadastrados nela não são prestadores de serviço ou mesmo colaboradores, mas, sim, parceiros indiretos.”Estamos confortáveis, porque [a plataforma] traz o cidadão para perto também da prestação de serviço. Quanto mais a gente tem uma sociedade colaborativa, melhor.

Queremos levar saneamento até 2029 para toda a população dos 371 municípios com contrato com a Sabesp, então ter a população ajudando a gente a melhorar os nossos processos é positivo”, diz Longo. Mas, para Daniel Grohmann, a plataformização do trabalho nasce da crise do estado de bem-estar social e implica no desmantelamento até de funções ligadas ao sistema de saúde e de educação.”A plataformização do trabalho significa uma crescente dependência de plataformas ou mesmo de dados para realizar atividades de trabalho. E não é só sobre entregadores e motoristas, tende à generalização. A plataformização também significa uma lógica de terceirização e de individualização.

E, como tal, não tem fronteiras”, acredita o professor. Se entregas e transporte foram o ponto de partida da uberização, e serviços de luz, água e gás soam como parada natural, o que mais virá a seguir? A alta rotatividade e a esporadicidade são alguns dos principais argumentos da Wily para sustentar a ausência de vínculo empregatício em seu modelo de negócio. As idas e vindas, diz a empresa, são moldadas pelas necessidades financeiras dos cadastrados: muitos utilizam o app apenas aos sábados ou retornam ao sistema no intervalo entre empregos com carteira assinada.”A gente tinha realmente essa preocupação de não criar um vínculo trabalhista.

Fizemos todas as análises que nos deram segurança para prosseguir com o modelo”, diz Lidemberg Rodrigues, diretor de operações da Wily. Tanto a diretoria da Sabesp quanto os executivos da Wily sustentam que a uberização das vistorias é uma tendência mundial irreversível, inspirada em modelos de governança colaborativa já consolidados na Europa e na América Norte. Débora Pierini Longo, diretora de operações da Sabesp, diz que falar em uberização não incomada. No entanto, reforça que se trata de uma plataforma de governança colaborativa e os cadastrados nela não são prestadores de serviço ou mesmo colaboradores, mas, sim, parceiros indiretos.”Estamos confortáveis, porque [a plataforma] traz o cidadão para perto também da prestação de serviço. Quanto mais a gente tem uma sociedade colaborativa, melhor.

Queremos levar saneamento até 2029 para toda a população dos 371 municípios com contrato com a Sabesp, então ter a população ajudando a gente a melhorar os nossos processos é positivo”, diz Longo. Mas, para Daniel Grohmann, a plataformização do trabalho nasce da crise do estado de bem-estar social e implica no desmantelamento até de funções ligadas ao sistema de saúde e de educação.”A plataformização do trabalho significa uma crescente dependência de plataformas ou mesmo de dados para realizar atividades de trabalho. E não é só sobre entregadores e motoristas, tende à generalização. A plataformização também significa uma lógica de terceirização e de individualização.

E, como tal, não tem fronteiras”, acredita o professor. Se entregas e transporte foram o ponto de partida da uberização, e serviços de luz, água e gás soam como parada natural, o que mais virá a seguir?

📰 Leia a notícia completa em: UOL »

⚖️ Direitos Autorais: Este site utiliza conteúdo agregado automaticamente de fontes públicas. Todas as imagens possuem crédito e fonte indicados conforme exigido pela legislação brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98).