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O âmbar costuma ser associado aos dinossauros e aos insetos preservados em seu interior, mas uma nova descoberta mostrou que sua história começou muito antes disso. Pesquisadores identificaram na China o âmbar mais antigo já encontrado, com cerca de 385 milhões de anos. O achado antecipa em aproximadamente 65 milhões de anos o surgimento conhecido da resina vegetal e oferece pistas inéditas sobre como as primeiras florestas conseguiram sobreviver em um planeta ainda em transformação.
O registro mais antigo de âmbar acaba de reescrever parte da história da Terra Durante décadas, os cientistas acreditavam que a produção de resina pelas plantas havia surgido somente depois da formação das primeiras grandes florestas do planeta. Essa ideia acaba de ser revisada. Uma equipe formada por pesquisadores da China, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido encontrou o que hoje é considerado o âmbar mais antigo já identificado.
O fóssil foi descoberto na Formação Hujiersite, localizada na China, e possui aproximadamente 385 milhões de anos. Isso significa que ele pertence ao Devônico Médio, um período muito anterior ao aparecimento dos dinossauros, que só surgiriam cerca de 150 milhões de anos depois. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Science Advances e representam um avanço importante para a paleobotânica, área que estuda a evolução das plantas ao longo da história geológica da Terra.
Produzir resina foi uma inovação muito mais sofisticada do que parecia Embora hoje seja comum encontrar resina em diversas espécies vegetais, sua produção envolve processos biológicos extremamente complexos. Para fabricar essa substância, as plantas precisam sintetizar moléculas orgânicas conhecidas como terpenoides e desenvolver estruturas especializadas capazes de armazenar e liberar a resina quando necessário. Nas plantas modernas, essa substância funciona como um verdadeiro sistema de defesa.
Ela ajuda a cicatrizar ferimentos, impede a entrada de fungos e bactérias, reduz os danos provocados por insetos e ainda protege contra condições ambientais extremas, como incêndios. Até agora, porém, a origem dessa capacidade permanecia um grande mistério. Isso acontece porque registros de âmbar são extremamente raros em rochas do Paleozoico, época em que as plantas começavam a colonizar definitivamente os ambientes terrestres.
Os fragmentos são minúsculos, mas escondem informações preciosas A descoberta foi liderada pelo pesquisador Cihang Luo, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, juntamente com uma equipe internacional de cientistas. Os fragmentos encontrados são extremamente pequenos. O maior deles mede apenas 1,5 milímetro e a maioria está preservada no interior de pequenos aglomerados de carvão vegetal fossilizado.
Apesar do tamanho reduzido, eles guardam uma quantidade surpreendente de informações. Os pesquisadores utilizaram técnicas modernas, como espectroscopia no infravermelho e cromatografia gasosa, para analisar sua composição química. Os resultados mostraram que a estrutura molecular desses fragmentos é muito semelhante à do âmbar produzido atualmente por diversas coníferas.
Essa semelhança sugere que mecanismos bioquímicos sofisticados já estavam presentes centenas de milhões de anos antes do que os cientistas imaginavam. A resina pode ter sido essencial para a sobrevivência das primeiras florestas Segundo os autores do estudo, a produção de resina provavelmente desempenhou um papel decisivo na evolução das primeiras plantas terrestres. Na transição entre os períodos Devoniano e Carbonífero, a vida em terra firme ainda enfrentava inúmeros desafios.
As plantas precisavam lidar com novos patógenos, ataques de artrópodes, incêndios naturais e mudanças constantes nas condições ambientais. A resina pode ter funcionado como uma importante ferramenta de sobrevivência, permitindo que esses organismos reparassem ferimentos com maior eficiência e aumentassem sua resistência diante das adversidades. Esse mecanismo teria contribuído para fortalecer as primeiras florestas da Terra e favorecido sua expansão por diferentes regiões do planeta.
Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução vegetal, a descoberta ajuda os cientistas a reconstruir um dos momentos mais importantes da história da vida terrestre. Cada pequeno fragmento encontrado na China funciona como uma cápsula do tempo capaz de revelar como surgiram algumas das adaptações que permitiram às plantas dominar os continentes e transformar para sempre os ecossistemas do planeta. [Fonte: Meteored]
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