📸 Créditos da imagem: Arif biswas/Shutterstock
A Universidade de Oxford, no Reino Unido, deu um passo crucial na luta contra o ebola ao iniciar o primeiro ensaio clínico em seres humanos de uma vacina experimental. O imunizante é direcionado especificamente ao ebolavírus de Bundibugyo, uma das variantes do vírus responsável pela doença, que atualmente assola a República Democrática do Congo e Uganda.
A iniciativa visa acelerar o desenvolvimento de uma ferramenta preventiva vital para conter o surto em andamento. O ritmo de desenvolvimento tem sido notável: a concepção da vacina começou há apenas oito semanas, logo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar emergência de saúde pública devido ao avanço da doença. Entre as quatro vacinas em desenvolvimento para esta variante específica, esta é a primeira a alcançar a fase de testes clínicos em humanos.
Os pesquisadores da Universidade de Oxford já estão ativamente recrutando voluntários para o estudo. A expectativa é que as primeiras doses sejam administradas em adultos saudáveis no Reino Unido “dentro de algumas semanas”, marcando um avanço significativo na pesquisa.
Batizado de BD-Ebov, o ensaio clínico tem como objetivo principal avaliar a segurança da vacina e a capacidade de provocar uma resposta imunológica robusta. O estudo envolverá 50 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, na cidade de Oxford. Os participantes serão acompanhados por um período de um ano, embora os cientistas esperem identificar rapidamente se o imunizante é eficaz em induzir a resposta imunológica desejada e se há o surgimento de efeitos colaterais inesperados.
O contexto do atual surto de ebola ressalta a urgência dessa pesquisa. Com epicentro na República Democrática do Congo, a epidemia já contabiliza 625 mortes e 1.792 casos confirmados por exames laboratoriais. Segundo a Universidade de Oxford, o agente responsável é o ebolavírus do tipo Bundibugyo, uma variante que já havia provocado outros dois surtos anteriormente.
A disseminação da doença ocorre em uma região marcada por conflitos armados e pelo deslocamento constante da população, fatores que aumentam exponencialmente a complexidade e a urgência pelo desenvolvimento de uma vacina capaz de conter a propagação do vírus. Katrina Pollock, pesquisadora da Universidade de Oxford e líder do estudo clínico, enfatizou a importância da preparação: “Estamos constantemente realizando ensaios de fase um de novas vacinas, justamente para estarmos preparados para este tipo de surto. ”
Além dos testes no Reino Unido, os cientistas também estão trabalhando em parceria com instituições em Uganda para viabilizar a realização de futuros ensaios clínicos no continente africano, onde a doença representa uma ameaça mais imediata e constante.
A rapidez no desenvolvimento deste novo imunizante foi possível graças à utilização da mesma plataforma tecnológica empregada com sucesso durante a pandemia de Covid-19 na vacina Oxford/AstraZeneca. Essa tecnologia inovadora utiliza um adenovírus comum que infecta chimpanzés, modificado geneticamente para ser seguro em humanos. Após a aplicação, esse vírus induz o organismo a produzir uma proteína específica do ebolavírus, permitindo que o sistema imunológico aprenda a reconhecer o patógeno e responda de forma mais eficiente caso ocorra uma infecção real.
Antes de chegar à fase de testes em seres humanos, o imunizante foi rigorosamente avaliado em estudos pré-clínicos com ratos e macacos. A fabricação das doses segue os mais altos padrões exigidos para uso em estudos clínicos e está sendo realizada pelo Serum Institute of India, que já produziu e armazenou aproximadamente 620 mil doses da vacina, garantindo um suprimento inicial para as próximas etapas de pesquisa e, potencialmente, para uma resposta rápida em caso de necessidade.
📰 Leia a notícia completa em: Olhar Digital »