Por IA, Google e Amazon aumentam emissões de gases de efeito estufa

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Por IA, Google e Amazon aumentam emissões de gases de efeito estufa

📸 Créditos da imagem: Unsplash

A corrida frenética pelo desenvolvimento da inteligência artificial (IA) está impulsionando um aumento significativo nas emissões de gases de efeito estufa por parte de gigantes da tecnologia como Google e Amazon. Ambas as empresas divulgaram recentemente relatórios que revelam um forte crescimento em sua pegada de carbono, levantando preocupações sobre o impacto ambiental da expansão da infraestrutura de IA.

O Impacto da IA no Google

O Google, em seu relatório anual ambiental divulgado na terça-feira, revelou um aumento alarmante de 82% em suas emissões totais desde 2019, com um crescimento de 18% apenas no último ano. Este dado contrasta diretamente com a promessa anterior da empresa de reduzir suas emissões pela metade até 2030, colocando em xeque seus objetivos de sustentabilidade a curto prazo.

No ano passado, o Google emitiu um total de 18,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente. As principais fontes dessas emissões incluem seus vastos centros de dados, escritórios, e, notavelmente, a fabricação de chips e servidores, além da construção de novas instalações de infraestrutura. O consumo de eletricidade da empresa já se aproxima do de um país inteiro, como a Grécia, evidenciando a escala de sua operação.

Kate Brandt, diretora de sustentabilidade do Google, comentou no relatório que “atualmente, a expansão de nossa infraestrutura de IA está ocorrendo mais rapidamente do que a descarbonização da rede elétrica”. Essa declaração sublinha o desafio de equilibrar o avanço tecnológico com as metas ambientais.

A Situação da Amazon

A Amazon também apresentou um cenário preocupante. Suas emissões cresceram 58% no mesmo período desde 2019, com um aumento de 16% em apenas um ano. A empresa havia se comprometido a alcançar a neutralidade de carbono até 2040, um objetivo que agora parece mais distante diante do ritmo atual de crescimento das emissões.

As emissões da Amazon totalizaram 80,85 milhões de toneladas de CO2 equivalente no ano passado. Além das atividades ligadas à computação em nuvem, que são significativas, a pegada de carbono da empresa é ampliada por seus centros de distribuição, sua vasta frota logística e seus envios globais. Um dado particularmente notável é o aumento de mais de 40% nas emissões relacionadas à construção de seus centros de dados em apenas um ano, tornando esta a categoria de maior crescimento.

Kara Hurst, a equivalente de Brandt na Amazon, reconheceu que “o aumento da demanda pode desacelerar” as ambições ambientais da companhia, ecoando a preocupação com a dificuldade de acompanhar a demanda por infraestrutura de IA com esforços de descarbonização.

Um Desafio Setorial e Econômico

Pela primeira vez, pelo menos desde 2021 no caso da Amazon, ambas as empresas estão poluindo mais para cada dólar de atividade econômica. Isso significa que suas emissões estão aumentando mais rapidamente do que suas receitas, um indicador preocupante que sugere uma intensificação da pegada ambiental por unidade de valor gerado. Esta tendência não se restringe apenas a Google e Amazon; espera-se que os próximos relatórios de outras gigantes do setor, como Meta e Microsoft, revelem padrões semelhantes, indicando um desafio sistêmico para toda a indústria de tecnologia.

Esforços de Mitigação e o Caminho Adiante

Apesar do aumento nas emissões, ambas as empresas destacam seus esforços em energias renováveis. O Google afirmou ter firmado, em 2025, um volume recorde de contratos para aquisição de energia de fontes descarbonizadas. A Amazon, por sua vez, apresentou-se como a maior compradora mundial de energia renovável pelo sexto ano consecutivo, buscando compensar parte de seu impacto.

No entanto, esses esforços, embora louváveis, parecem não ser suficientes para conter o rápido crescimento das emissões impulsionado pela demanda insaciável por infraestrutura de IA. A indústria de tecnologia enfrenta o desafio de inovar de forma sustentável, garantindo que o avanço da inteligência artificial não comprometa os objetivos globais de combate às mudanças climáticas.

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