Falhas no AirDrop e no Quick Share deixam celulares expostos a ataques

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Falhas no AirDrop e no Quick Share deixam celulares expostos a ataques

📸 Créditos da imagem: Wellington Arruda / TecMundo

Pesquisadores de segurança cibernética revelaram a existência de seis falhas críticas nos populares mecanismos de transferência de arquivos AirDrop, da Apple, e Quick Share, da Samsung e Google. As vulnerabilidades, detalhadas em um estudo aprofundado publicado pelo renomado Centro Helmholtz da CISPA para Segurança da Informação, expõem milhões de dispositivos móveis a potenciais ataques.

O estudo se destaca por sua abordagem minuciosa na compreensão das camadas de ataque que podem ser exploradas nessas tecnologias amplamente utilizadas. Em sua essência, esses recursos funcionam permitindo que os aparelhos emitam um sinal para estabelecer comunicação, seguido pela abertura de uma ponte segura para a transferência de dados. Após o recebimento, o dispositivo destinatário inicia o processo de decodificação das informações.

As falhas identificadas no AirDrop e no Quick Share residem precisamente na transição entre a formação dessa ponte segura e a etapa de decodificação. Um agente mal-intencionado pode explorar essa janela enviando pacotes de dados propositalmente irregulares. Como a tecnologia não consegue interpretar esses dados anômalos, o sistema entra em colapso, tornando-se suscetível a diversas formas de ataque.

As Vulnerabilidades Críticas do AirDrop

No caso do AirDrop, os pesquisadores Arash Ale Ebrahim e Nils Ole Tippenhauer descobriram três vulnerabilidades distintas, todas passíveis de serem exploradas por meio de ataques “sem cliques”, ou seja, sem a necessidade de interação do usuário. O ponto de partida para todas essas falhas é um processo conhecido como sharingd. Este é um daemon de compartilhamento da Apple que gerencia uma parcela significativa da conectividade sem fio em todos os produtos da empresa.

O sharingd é o cérebro por trás do AirDrop e de outros sistemas de comunicação sem fio da Apple. Consequentemente, quando este processo sofre uma falha, todo o ecossistema de conectividade da Maçã fica comprometido. Um ataque bem-sucedido pode, por exemplo, desativar a integração entre os dispositivos da empresa repetidamente em um curto espaço de tempo, causando interrupções significativas.

Entre as falhas encontradas, a mais simples é um ataque de negação de serviço (DDoS) clássico. Neste cenário, o agente malicioso envia mensagens alteradas a cada dois segundos, impedindo que o sharingd reinicie e corrija os problemas de forma autônoma, mantendo o sistema em um estado de vulnerabilidade contínua.

As outras duas falhas do AirDrop estão centradas em vulnerabilidades nos frameworks compartilhados do próprio sistema operacional da Apple, o iOS. O método de exploração consiste na criação de um arquivo de planilha com 200 camadas aninhadas, uma dentro da outra, que é então enviado via AirDrop. Quando essa planilha chega ao estágio de decodificação, o sistema trava ao tentar processar todas essas camadas ocultas, resultando em um colapso de memória. Dada a natureza abrangente desse erro, ele pode afetar qualquer aplicativo e sistema da Apple, incluindo macOS, iOS, watchOS, tvOS e até mesmo o visionOS.

É importante notar que, em um movimento relacionado, a Apple lançou recentemente uma série de correções para brechas de segurança em seus sistemas iOS, macOS e no navegador Safari, demonstrando um esforço contínuo para mitigar riscos.

As Brechas de Segurança no Quick Share

No que diz respeito ao Quick Share, a tecnologia de transferência de arquivos da Samsung e Google, os pesquisadores utilizaram um Galaxy S23 Ultra para testar o protocolo de handshake. Este protocolo é crucial, pois estabelece um canal seguro por meio de criptografia para garantir que os dados sejam transmitidos de forma confidencial e íntegra.

As vulnerabilidades identificadas no Quick Share incluem:

  • A primeira falha ocorre quando um dispositivo não verificado consegue assumir o controle dos processos da conexão antes mesmo que a criptografia seja estabelecida, comprometendo a segurança inicial da comunicação.
  • A segunda brecha permite que “pensamentos de controle” – comandos ou dados de gerenciamento – transitem por esse canal sem a proteção da criptografia, abrindo portas para manipulações.
  • A brecha mais grave foi descoberta no aplicativo do Quick Share para Windows. Neste cenário, duas conexões tentam acessar e modificar o mesmo arquivo de memória simultaneamente. Essa disputa de acesso gera uma confusão no aplicativo, que acaba por deletar o arquivo que estava sendo acessado. Para agravar a situação, uma das camadas de proteção do Windows, o Control Flow Guard, estava desativada, permitindo que códigos maliciosos fossem inseridos diretamente nessa memória, elevando o risco de execução arbitrária de código.

Apesar dessas preocupações de segurança, é relevante mencionar que, graças a atualizações recentes, celulares Android e iOS agora possuem a capacidade de transferir arquivos entre si, promovendo uma maior interoperabilidade entre as plataformas.

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