Papa Leão XIV pede controle da IA em primeira encíclica

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Papa Leão XIV pede controle da IA em primeira encíclica

📸 Créditos da imagem: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock

Tudo sobre Inteligência Artificial ver mais O papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira carta encíclica, intitulada Magnifica Humanitas, documento em que faz um apelo pela proteção da dignidade humana diante do avanço da inteligência artificial (IA). Assinada em 15 de maio, a encíclica aborda impactos da tecnologia no trabalho, na comunicação, na política e em conflitos armados. O texto foi apresentado no Vaticano com a presença do pontífice e de integrantes da cúpula da Igreja Católica, incluindo o cardeal Víctor Manuel Fernández, o cardeal Michael Czerny e o secretário de Estado Pietro Parolin. Também participaram as teólogas Anna Rowlands e Leocadie Lushombo, além de Christopher Olah, cofundador da Anthropic.

O que é uma encíclica? Uma encíclica é um dos documentos mais importantes publicados por um papa. Diferentemente de outros textos voltados principalmente à hierarquia da Igreja Católica, esse tipo de carta costuma ser direcionado também a “todas as pessoas de boa vontade”, abordando temas sociais, morais e políticos que afetam a humanidade.

Segundo o Vaticano, as encíclicas fazem parte do chamado Magistério Social da Igreja e buscam oferecer reflexões fundamentadas nas Escrituras e na tradição católica. No caso de Magnifica Humanitas, o foco está nos impactos da inteligência artificial sobre a dignidade humana, o trabalho, a comunicação e os conflitos armados. Encíclica relaciona IA à Doutrina Social da IgrejaCom 245 parágrafos divididos em cinco capítulos, a encíclica trata da “salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.

O documento retoma princípios da Doutrina Social da Igreja e estabelece paralelos entre a atual transformação tecnológica e os impactos sociais da Revolução Industrial discutidos na encíclica Rerum Novarum, publicada por Leão XIII em 1891. Logo na introdução, Leão XIV afirma que a humanidade enfrenta uma “escolha decisiva” entre construir uma nova “torre de Babel” ou uma sociedade baseada na cooperação e na dignidade humana. O texto sustenta que a tecnologia não é um mal em si, mas também “não é neutra”, porque reflete os interesses de quem a desenvolve, financia e controla. A encíclica defende ainda que o desenvolvimento tecnológico precisa ser acompanhado por regulamentação, mecanismos de responsabilidade e supervisão pública. O documento cita a necessidade de políticas capazes de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico e critica a concentração dessas ferramentas nas mãos de poucos grupos econômicos.

Documento critica desemprego e “colonialismo de dados”Entre os principais temas abordados está o impacto da IA sobre o trabalho. O papa afirma que a automação não pode justificar desemprego em massa nem precarização das relações trabalhistas. Segundo a encíclica, sistemas tecnológicos devem ser projetados com foco na pessoa humana, e não apenas em desempenho e lucro.

O texto também critica novas formas de exploração ligadas à economia digital. A encíclica menciona o chamado “colonialismo de dados”, definido como o uso de informações pessoais e estratégicas para orientar interesses econômicos e ampliar desigualdades. Há ainda referências às condições de trabalhadores envolvidos na extração de minerais usados na indústria tecnológica. Outro ponto destacado é a defesa de uma “ecologia da comunicação”, baseada em transparência, proteção de dados e combate à desinformação.

O papa também pede uma educação voltada ao uso crítico das tecnologias digitais e alerta para riscos de dependência e controle social associados às plataformas digitais. Papa condena armas autônomas letaisA encíclica dedica espaço à discussão sobre o uso militar da inteligência artificial. O texto condena armas autônomas letais e afirma que decisões sobre vida e morte não devem ser delegadas a algoritmos. Durante a apresentação do documento, Leão XIV resumiu essa preocupação ao declarar: “É preciso desarmar a IA”. Segundo o Vaticano, o documento propõe superar a lógica da chamada “guerra justa” e reforçar mecanismos de diálogo internacional e cooperação multilateral.

O texto afirma que a prosperidade tecnológica só contribui para a paz quando é distribuída de forma inclusiva e sustentável. Ana Luiza Figueiredo Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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