📸 Créditos da imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital
A urgência climática deixou de ser uma previsão distante e já se manifesta no cotidiano da população brasileira. Uma pesquisa recente, intitulada “Clima, Trabalho e Transição Justa”, conduzida pelo Aurora Lab e pela More in Common, revela que a vasta maioria dos brasileiros já sente os efeitos das mudanças climáticas em suas vidas.
Os dados do levantamento indicam que impressionantes 85% dos cidadãos percebem os impactos em suas rotinas, com quase metade, 46%, classificando-os como intensos. Este estudo, que ouviu 2.630 pessoas em nove capitais brasileiras, será lançado oficialmente em São Paulo, durante o encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”.
Os principais impactos no dia a dia
Os efeitos do aquecimento global e dos eventos climáticos extremos têm repercussões diretas na qualidade de vida e na economia doméstica. Entre as consequências mais citadas pelos participantes da pesquisa, destacam-se:
- Custo de vida mais alto: 53%
- Problemas de saúde física: 45%
- Obstáculos no deslocamento para o trabalho: 40%
- Adoecimento mental: 32%
- Perda de renda: 17%
- Perda de emprego: 10%
Além dos impactos diretos, o estudo também aponta para uma alta consciência social sobre a gravidade da situação. Cerca de 93% dos entrevistados concordam que os modelos atuais de produção e consumo necessitam de uma transformação urgente para combater a crise ambiental.
Consciência e Responsabilidade
Quando questionados sobre a liderança na proteção e segurança dos trabalhadores frente às mudanças climáticas e à transição energética, a expectativa se concentra no governo. Para 67% dos ouvidos, o Estado deve assumir essa responsabilidade. Em contraste, apenas 7% apontaram os empregadores como os principais responsáveis, e menos de 6% indicaram grupos socioambientais.
Essa centralização das expectativas no poder público surpreendeu os coordenadores da pesquisa. Gabriela Vo, diretora-executiva do Aurora Lab, expressou preocupação com a possível desresponsabilização do setor privado. Ela enfatizou que, com a crescente frequência de eventos climáticos extremos, os empregadores têm um papel crucial em garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição.
Fontes de Informação
O estudo também mapeou os hábitos de informação da população. Embora 69% dos entrevistados confiem na ciência e nas universidades como as fontes de maior credibilidade sobre o clima, as redes sociais emergem como o principal canal de consumo de informação para 65% deles, evidenciando um desafio na disseminação de dados confiáveis.
Detalhes da Pesquisa
Os dados foram coletados entre maio e setembro de 2025, por meio de entrevistas com cidadãos de 16 anos ou mais. As capitais abrangidas foram Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, garantindo uma amostra representativa da percepção nacional sobre o tema.
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