📸 Créditos da imagem: Unsplash
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Você ainda abre o Google quando tem uma dúvida, ou já começou a perguntar direto para a IA? Pesquisas recentes mostram que cerca de um terço dos usuários já migraram parte das suas buscas para chatbots como o ChatGPT.
O Google percebeu esse movimento, e esta semana anunciou a maior mudança no seu produto principal em 25 anos.
A caixinha de busca que sempre retornou os famosos links azuis, agora foi redesenhada para trazer uma resposta pronta e até construir uma interface interativa customizada para a sua pergunta.
Pesquisou sobre astrofísica? A busca monta uma simulação. Quer montar um computador? Ela avisa se os componentes são incompatíveis.
Mas a mudança que mais chama atenção está nos agentes. Agora, você configura uma vez e eles continuam trabalhando enquanto você dorme. Monitoram, filtram e avisam por você.
Como resumiu bem a revista Wired, a busca não precisa mais de você.
Pensa comigo o que isso significa. O que o Google está fazendo traz incertezas até para o seu modelo de negócios, baseado na venda de publicidade em torno dos links e da intenção de busca, que só funciona quando as pessoas navegam pela web.
Quando um agente navega por nós e cria respostas e interfaces customizáveis, o que será comercializado para os anunciantes?
É uma mudança radical até mesmo para o Google, mas a empresa decidiu apostar em um novo modelo antes que o antigo colapse completamente.
Clayton Christensen descreveu décadas atrás um paradoxo que, mais cedo ou mais tarde, vai ser uma dor de cabeça para qualquer empresa que lidera o seu setor.
Muitas vezes para sobreviver a uma disrupção, elas precisam destruir os seus próprios modelos de negócios que as tornaram grandes.
É o que ele chamou de ‘O Dilema da Inovação’.
Só que tem um detalhe que muitas empresas e líderes erram nessa equação.
Ficam olhando para a tecnologia e esquecem de olhar para o comportamento das pessoas.
Esse é o erro que o Google, pelo menos agora, não parece estar cometendo.
A empresa sacou que a tecnologia já estava impactando o comportamento das pessoas, e agiu antes que fosse tarde demais.
Esse fenômeno não fica restrito ao Google.
Quando as pessoas mudam como pesquisam, como compram, como aprendem, o mercado inteiro vai precisar se reorganizar ao redor desse novo comportamento.
E quem perceber antes tem uma janela de oportunidades.
Só que essa transição não vem tranquila.
Ela cria desafios para os quais ainda não temos respostas prontas.
Para os usuários, a IA na busca traz velocidade e ganho de eficiência, mas ao mesmo tempo reduz o contato direto com a fonte, a chance de descobrir algo por acaso, e impacta até o pensamento crítico.
Para quem produz conteúdo na internet, como jornais, portais e criadores, o contrato com a web aberta está sendo corroído.
Quando o agente consome o conteúdo sem enviar o usuário ao site, o modelo de quem produz precisa ser reinventado.
E no centro de tudo isso, a IA se torna a principal intermediária entre as pessoas e o conhecimento disponível na rede, uma concentração de poder informacional sem precedente.
As marcas? O Google também anunciou agentes de compra que montam carrinhos e comparam preços.
Isso muda a relação entre consumidor e marca de uma forma que o mercado ainda não processou.
Se a IA decidir o que recomendar antes de você chegar ao produto, conquistar a preferência do algoritmo pode valer tanto quanto despertar a emoção do cliente.
O Google está tentando sobreviver destruindo a si mesmo antes da concorrência.
E, ao fazer isso, está criando um novo ambiente digital em que outras empresas e modelos de negócio também precisarão se destruir se quiserem sobreviver.
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