📸 Créditos da imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog
A divisão mobile da Samsung, uma das gigantes globais no setor de smartphones, pode estar à beira de registrar seu primeiro prejuízo anual desde sua criação em 2021. A projeção, que aponta para um resultado negativo em 2026, surge como um alerta interno, mesmo com o bom desempenho comercial de lançamentos recentes da marca.
O principal fator por trás dessa potencial queda de rentabilidade é o encarecimento dos componentes, especialmente as memórias. Informações veiculadas na imprensa sul-coreana indicam que o chefe da área mobile da Samsung, Roh Tae-moon, teria feito o alerta internamente, destacando o impacto direto do aumento nos preços das memórias.
Este cenário não é exclusivo da Samsung, mas reflete uma pressão generalizada sobre toda a indústria de tecnologia. Fabricantes têm sido forçadas a aumentar os preços de seus produtos ou a operar com margens de lucro significativamente reduzidas. A própria Samsung já elevou o preço de tabela de vários de seus smartphones, mas, aparentemente, essa estratégia não foi suficiente para compensar os custos crescentes, mesmo com as boas vendas do recém-lançado Galaxy S26.
O Impacto da Memória e o Paradoxo do Lucro
Para ilustrar a dimensão do problema, especialistas apontam que um único supercomputador de inteligência artificial consome a memória equivalente a cerca de 4.600 smartphones, considerando que um Galaxy S26 Ultra geralmente vem equipado com 12 GB de memória LPDDR5X. Essa demanda massiva por memórias de alta performance tem desequilibrado o mercado.
Curiosamente, enquanto a divisão mobile enfrenta dificuldades, o lucro total da Samsung registrou um aumento expressivo, multiplicando-se por oito. Esse aparente paradoxo é explicado pelo sucesso de sua própria área de semicondutores. A alta demanda por memórias, que está no cerne da crise da divisão mobile, impulsionou o negócio de memória da fabricante, já que Samsung, SK Hynix e Micron controlam cerca de 90% do mercado global de memórias DRAM.
A Crise Global de Chips e o Futuro Incerto
A escassez de chips de memória é um problema que se arrasta desde o final do ano passado e, segundo análises recentes, não deve ter um alívio significativo antes de 2028. As gigantes dos semicondutores redirecionaram suas fábricas para atender à crescente demanda por componentes para inteligência artificial, priorizando a produção de memórias de alta largura de banda (HBM), essenciais para data centers de IA, em detrimento das memórias de uso geral (DRAM), que são cruciais para dispositivos de consumo.
Essa mudança estratégica tem gerado consequências notáveis no mercado. Um exemplo claro é a Micron, que descontinuou a icônica marca Crucial após quase 30 anos de presença, evidenciando a reorientação das prioridades da indústria em face da demanda por IA e da escassez de chips para outros segmentos.
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