Empresas usam redes de operadoras para espionagem, alerta relatório

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Empresas usam redes de operadoras para espionagem, alerta relatório

📸 Créditos da imagem: Fah Studio 27/Shutterstock

Empresas usam redes de operadoras para espionagem, alerta relatório

Investigação revela que empresas de vigilância operam como ‘companhias fantasma’ para explorar falhas na infraestrutura global de telecomunicações

A Citizen Lab revelou que empresas de vigilância operam como ‘companhias fantasma’ para explorar falhas na infraestrutura global de telecomunicações e rastrear celulares mundo afora.

O relatório detalha campanhas de espionagem que usam vulnerabilidades em protocolos de rede para transformar dispositivos móveis em ferramentas de monitoramento sem que o usuário perceba.

Essas operações utilizam pontos de acesso em operadoras para ocultar a identidade de governos clientes e a origem dos ataques.

Vulnerabilidades em protocolos de rede e ataques silenciosos via SMS permitem monitoramento global.

A base do problema reside no Signaling System 7 (SS7), conjunto de protocolos para redes 2G e 3G que não exige autenticação nem criptografia.

Essa brecha técnica permite que agentes mal-intencionados geolocalizem aparelhos ao redor do mundo ao ‘pegar carona’ na infraestrutura que as operadoras usam para rotear chamadas e mensagens.

Embora o protocolo Diameter tenha sido criado para trazer segurança às redes 4G e 5G, o Citizen Lab alerta que ele ainda é explorado devido a falhas na implementação das operadoras.

Em muitos casos, invasores conseguem forçar o sistema a regredir para o antigo protocolo SS7, burlando as defesas mais recentes para manter o acesso aos dados.

Outro método identificado é o SIMjacker, que usa mensagens SMS invisíveis enviadas diretamente ao cartão SIM do alvo.

Essas mensagens executam comandos que transformam o aparelho num rastreador de localização em tempo real, sem deixar qualquer vestígio ou notificação para o proprietário do celular.

As investigações apontaram que três operadoras – 019Mobile (Israel), Tango Networks U. K. (Reino Unido) e Airtel Jersey (Ilha de Jersey) – serviram como pontos de trânsito frequentes para essas atividades de espionagem.

O uso dessas redes permitiu que fornecedores de inteligência, possivelmente sediados em Israel, monitorassem indivíduos ‘high profile’.

O pesquisador Gary Miller, um dos responsáveis pela elaboração do relatório, disse que o que foi descoberto é apenas a ‘ponta do iceberg’.

Isso porque representa uma fração de milhões de ataques que ocorrem mundo afora.

O relatório conclui que a operação é deliberada, possui financiamento robusto e demonstra uma integração profunda de empresas de vigilância no ecossistema de sinalização móvel global.

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